CNMP instaura processo disciplinar contra Bandarra e Deborah Guerner

Operação investigou a cobrança de propina de empresas contratadas pelo governo do Distrito Federal

Rosa Costa - O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2010 | 21h36

BRASÍLIA - O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) instaurou nesta segunda-feira, 7, por unanimidade, processo administrativo disciplinar contra o procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, e a promotora de Justiça Deborah Guerner, pela suspeita de faltas disciplinares. O corregedor-geral do conselho, Sandro Neis, foi derrotado, por sete votos a cinco, no pedido de afastar Bandarra e Guerner de todos os cargos que ocupam no Ministério Público "até que as suspeitas das graves faltas que pesam contra eles sejam elucidadas".

 

A maioria dos conselheiros decidiu condicionar a medida ao aparecimento de provas no processo que vai aprofundar a sindicância interna sobre o envolvimento de ambos no esquema de corrupção investigado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Indicada para o conselho pelo MP-DF, a conselheira Cláudia Chagas não votou, alegando suspeição.

 

Deflagrada no final de novembro, a operação investigou a cobrança de propina de empresas contratadas pelo governo do Distrito Federal, do então governador José Roberto Arruda, e a distribuição de mesada a aliados políticos. Até agora, foram atingidos pelo esquema, além de Arruda e seu vice, Paulo Octavio, que renunciaram ao mandato, um conselheiro do Tribunal de Contas do DF, oito deputados distritais, entre eles, o ex-presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, secretários e outros membros do governo.

 

Leonardo Bandarra e Débora Guerner foram acusados pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, de vazar informações sobre a operação de busca e apreensão da Operação Megabyte, da Polícia Federal, realizada na sua casa e de parentes e nas empresas de informática contratadas pelo governo. Principal delator da operação Caixa de Pandora, Barbosa repetiu no depoimento à corregedoria geral do MP-DF, Lenir de Azevedo - a exemplo do que tinha feito à PF - que entregou à promotora R$ 1,6 milhão em troca do vazamento da informação.

 

Segundo ele, todas as negociações foram feitas em nome de Leonardo Bandarra. O ex-secretário revelou ainda que ouviu o governador Arruda afirmar que pagava mesada mensal a Bandarra de R$ 150 mil.

 

Os advogados de Bandarra e Guerner rebateram as denúncias, alegando que os indícios se restringiriam às palavras de Durval. "Um criminoso, um delinquente, réu em uma centena de ações penais", frisou Ângela Baeta, advogada de Bandarra.

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