CNI/Ibope mostra Lula com 30% de intenções de voto

A pesquisa CNI-Ibope fez cinco simulações com possíveis candidatos à Presidência da República em 2002. Na primeira simulação, se a eleição fosse hoje Lula ficaria em primeiro lugar, com 30% dos votos, dois pontos porcentuais acima do apontado pela pesquisa anterior. Ciro e Roseana ficariam empatados, em segundo lugar, com 12%, e estariam também tecnicamente empatados com Itamar e Gatotinho, que teriam 10% cada um. O ministro José Serra teria 6%, mesmo índice da pesquisa anterior. Os votos brancos e nulos caíram de 11% para 9% e os que não souberam ou não opniram caíram de 12% para 10%.As outras simulações também apontam uma boa colocação da governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Ela oscila entre 14% e 16%, enquanto a oscilação de Ciro fica entre 12% e 18%. O melhor desempenho de Roseana é na simulação em que ela é apresentada como apoiada pelo presidente FHC. Na melhor simulação de Ciro, este é apresentado como apoiado por Itamar.A pesquisa mostra que Roseana está bem colocada nas regiões Norte e Centro-Oeste, com 18%, e no Nordeste, com 15%. Seu desempenho mais modesto é no Sudeste, com 9%. Em todas as simulações, Roseana tem sempre o dobro das intenções de voto do ministro José Serra. Segundo o consultor da CNI, Ney Figureido, é um erro avaliar que o crescimento de Roseana se deva à exposição que ela teve na mídia em razão da propaganda na mídia do seu partido, o PFL.Segundo Figueiredo, o ministro Serra é dos pré-candidatos o que mais teve exposição na mídia, e não conseguiu desempenho semelhante. "Se não tiver carisma, não adianta ter exposição", disse, atribuindo o desempenho de Roseana ao seu discurso, ao sobrenome Sarney e ao fato de ser mulher. "As mulheres estão em alta no mundo todo", comentou o presidente da CNI, Fernando Bezerra.Candidato do governo é rejeitado por 59%A pesquisa CNI/Ibope mostra que a rejeição a um candidato que represente a continuidade da política econômica do governo caiu de 65% para 59%. Esse é o índice de pessoas que afirmaram não votar "de jeito nenhum" em um candidato do governo. O porcentual de entrevistados que responderam que certamente votariam no candidato da continuidade cresceu de 11% para 13% e os que poderiam votar no candidato da continuidade caíram de 15% para 14%.A pesquisa mostra que os brasileiros que votariam ou poderiam votar no candidato da continuidade atingiriam 27% dos votos, porcentual semelhante ao da pesquisa anterior, que foi de 26%. Segundo os entrevistados que votariam ou poderiam votar no candidato da continuidade, aqueles que melhor representariam esse candidato seriam, pela ordem: Roseana Sarney (16%); José Serra (15%); Itamar Franco (15%); Ciro Gomes (14%); Anthony Garotinho (8%); Pedro Malan (4%); Tasso Jereissati (4%); Paulo Renato (2%); nenhum desses ou outro candidato (4%); e não sabem ou não opinaram (18%).Segundo a pesquisa, o fato de o ministro da Fazenda, Pedro Malan, aparecer com apenas 4% deve-se ao que foi constatado em outra pergunta, sobre quem apóia ou não o governo: 49% não souberam posicionar o ministro. Em relação aos políticos mais citados, a explicação é a mesma, principalmente em relação a Itamar e Ciro Gomes, que não estão claramente associados, na mente dos brasileiros, como oposição a FHC, pelo fato de ambos terem participado da implementação do Plano Real.Serra é considerado político que mais apóia FHCA pesquisa CNI/Ibope revelou que o ministro da Saúde, José Serra, é considerado pelos eleitores o político que mais apóia o presidente Fernando Henrique Cardoso. Na soma das opções ?apóia totalmente? e ?apóia em parte? o governo, Serra fica com 46% dos votos. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, vem a seguir com 36%. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, soma 35%; o governador do Rio, Anthony Garotinho, 24%; o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, 23%; o governador do Ceará, Tasso Jereissati, 22%; o governador de Minas, Itamar Franco, 22%; e o candidato do PT, Luis Inácio Lula da Silva, 10%.Na situação inversa, dos candidatos que fazem oposição total ou em parte ao governo, Lula lidera com 73%. Em segundo lugar fica Itamar Franco, com 47%; Ciro, com 37%; Garotinho, com 33%; Roseana, com 26%; Tasso com 17% e Serra e Malan, ambos com 15%. Segundo o consultor de pesquisa da CNI, Ney Figueiredo, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, não aparece como solução eleitoral nem como candidato da continuidade do governo na mente do eleitor. Ele observou ainda que, em todos os cenários, com ou sem o governador do Ceará, Tasso Jereissati, as intenções de voto em Ciro não mudam, o que mostraria que o eleitor dissocia os dois possíveis candidatos.Ney Figueiredo disse ainda que o governador do Rio, Anthony Garotinho, que foi a grande surpresa da pesquisa anterior, não apresentou evolução, o que ele atribui à repercussão negativa de denúncias envolvendo o governador. O crescimento do potencial eleitoral da governadora Roseana Sarney "também deverá motivar movimento contrário". Ele avalia ainda que todo o espaço de oposição está ocupado pela candidatura Lula e, portanto, não adianta Ciro ou Itamar tentarem ocupar esse espaço. Na avaliação de Figueiredo, Ciro Gomes teria mais espaço de crescimento se apresentando ao eleitor como uma dissidência do governo.

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