CNI quer evitar volta de Bezerra

A demissão de Fernando Bezerra do Ministério da Integração Nacional, motivada pela denúncia de desvio de verbas da Sudene, deixa a Confederação Nacional da Indústria (CNI) em uma situação de embaraço. O ex-ministro Bezerra teria o direito de reassumir o posto de presidente da entidade, do qual havia se licenciado em 1999 para conduzir o ministério. A CNI, entretanto, deverá evitar essa possibilidade, segundo fontes do setor. O retorno à CNI, embora já anunciado por Fernando Bezerra na entrevista que concedeu hoje, deverá estar na pauta da reunião do Conselho de Representantes da entidade, marcada para o próximo dia 22, em Brasília. Nessa reunião, segundo as mesmas fontes, evidentemente serão consideradas três hipóteses: o retorno de Bezerra, cuja imagem acabou prejudicada pelo escândalo, à presidência da casa; a possibilidade de veto à sua volta; e a persuasão do ex-ministro, para que voluntariamente se desligue do conselho da CNI. Essa terceira hipótese é a mais provável, na avaliação dessas fontes. A volta de Bezerra é considerada delicada entre parceiros do ex-ministro na entidade, diante dos motivos para o pedido de demissão ao presidente Fernando Henrique Cardoso. A avaliação inicial, ao sabor do impacto das denúncias que envolveram o ex-ministro e que serão analisadas pelo prazo de 10 dias pela Corregedoria Geral da União, é que o retorno de Bezerra poderia prejudicar o esforço da CNI, comandada atualmente pelo deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP), em defender as demandas do setor industrial ao governo e ao Congresso.

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