CNI cobra de pré-candidatos redução de juros

Em documento a ser entregue a presidenciáveis, entidade afirma que dificuldade de acesso a crédito inibe e pune setor privado

BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

19 Maio 2010 | 22h24

Para crescer, o Brasil precisa mudar a estratégia de sua economia, segundo documento que será divulgado hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e será entregue aos presidenciáveis. De acordo com a avaliação da entidade, a atual equação macroeconômica tem um viés que inibe o crescimento da economia, ao punir o setor privado.

 

Entre os principais problemas estão as altas taxas de juros e a dificuldade de acesso ao crédito. "O Brasil só conseguirá sustentar um forte crescimento se contar com o suporte de uma política industrial ativa, capaz de formar um ambiente propício à inserção competitiva das empresas na economia global, aproveitando todo o extenso potencial de crescimento da produção da indústria brasileira", sustenta o documento batizado de A Indústria e o Brasil – Uma Agenda para Crescer Mais e Melhor.

 

Decisivo. Para a CNI, os próximos quatro anos serão decisivos para o País. "O País poderá crescer a taxas superiores a 5% ao ano, desde que respeite as lições sobre a importância da estabilidade, priorize a competitividade e avance na modernização das instituições econômicas e políticas", afirma o documento.

 

Segundo a CNI, o Brasil tem como desafios na política industrial reduzir o custo Brasil e criar condições para a transformação de sua estrutura industrial.

 

"As altas taxas de juros e a dificuldade no acesso ao crédito são problemas estruturais enfrentados pela indústria brasileira, que reduzem o investimento e prejudicam a operação quotidiana das empresas", afirma a CNI.

 

Estímulo. A entidade sugere algumas mudanças para estimular a indústria. Uma delas é reduzir em 10% o custo do transporte. Segundo a CNI, essa medida resultaria num aumento de 30% das exportações para os Estados Unidos. "Os custos de transporte no País, em importantes trechos logísticos, são muito superiores à média praticada no mercado mundial", ressalta.

 

A CNI destacou como outro problema o alto custo da energia no País. Conforme a entidade, a tarifa de energia para o consumidor industrial tem crescido acima da inflação. "Entre 2002 e 2007, a taxa média cresceu 21,6%", argumenta.

 

A confederação também reclama da lentidão na expansão das redes de saneamento básico. "A raiz do elevado déficit e da insuficiente qualidade dos serviços encontra-se nos baixos níveis de investimento e em problemas institucionais", afirma.

 

No documento, a entidade lembra que nas décadas de 80 e 90 a renda per capita crescia em média 0,5% ao ano. Se esse ritmo fosse mantido, seriam necessários 137 anos para dobrar a renda per capita. Mas a confederação observa que, entre 2004 e 2008, a taxa de crescimento médio aumentou para 3,4% ao ano. Esse índice, se mantido, fará com que a renda dos brasileiros dobre a cada 21 anos, segundo a CNI.

 

Multiplicação. Mas a entidade vai além. Diz no documento que é possível multiplicar por quatro a riqueza dos brasileiros. "Como fazer, num espaço de 30 anos, o salto da atual renda per capita de US$ 10 mil para um Brasil com rendimento médio de US$ 40 mil? A resposta: Sustentar o crescimento da renda per capita em 4,5% ao ano é a chave da questão", conclui.

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