CNBB quer retomar espaço que teve durante a ditadura

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quer resgatar a imagem que conquistou durante a ditadura, quando sua sigla se tornou sinônimo de resistência ao regime militar pela redemocratização do País.Sua causa agora será a luta contra a miséria e a fome, dentro das exigências da ética e do Evangelho, conforme proposta apresentada por uma comissão de bispos na assembléia-geral da entidade, no mosteiro de Itaici, no município de Indaiatuba (SP)."Devemos assumir a coordenação da ação social nos vários níveis da pastoral social, não para eleger o presidente da República, mas para lançar um projeto para superação da miséria e da fome", disse o bispo de Duque de Caxias, d. Mauro Morelli.Representante da Igreja na Ação de Cidadania contra a Fome e Miséria pela Vida, lançada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, em 1992, d. Mauro advertiu que "clama aos céus a injustiça de 70 milhões de brasileiros viverem em situação de fome e miséria num país tão rico e tão cheio de esperança"."O Brasil não é problema, mas solução, para a fome no mundo", afirmou. Como presidente da comissão que estuda a questão, o responsável pelo setor social, d. Jacyr Braido, da diocese de Santos, sugeriu ao episcopado o lançamento imediato de um mutirão de combate à fome e à miséria."A CNBB quer ocupar de novo o espaço histórico que teve durante a ditadura", anunciou d. Cândido Padin, bispo emérito de Bauru e membro da comissão.Os bispos aproveitaram a visita do cardeal português José Saraiva Martins ao plenário da assembléia, em Itaici, para pedir que apresse, como presidente da Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano, os processos de beatificação de brasileiros candidatos ao altar.O arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho informou ao cardeal que está encaminhando a Roma a documentação para beatificação de d. Vital Maria Gonçalves de Oliveira, o bispo da diocese que enfrentou o imperador D. Pedro II, no fim do século 19, na polêmica sobre a maçonaria que ficou conhecida como Questão Religiosa."Seria bom que um bispo brasileiro chegasse aos altares", observou o cardeal, sem entrar no mérito do caso. Alertado para o fato de que a implicação política do episódio poderia dificultar a beatificação de d. Vital, ele discordou: "O passado deve ser analisado no contexto da época e não pelos critérios de hoje."

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