CNBB propõe boicote a partidos de corruptos

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Jayme Henrique Chemello, divulgou, nesta sexta-feira, um documento com propostas para a eleição do próximo ano, no qual a CNBB sugere um boicote aos partidos políticos que indicarem candidatos corruptos.?É oportuno exercer a vigilância com relação aos partidos que continuam indicando como candidatos pessoas comprovadamente inescrupulosas, e os eleitores devem ser orientados a não apoiar tais candidatos e até recusar qualquer candidato de um partido que acoberte tais pessoas?, propôs a CNBB.Chemello defendeu que o próximo dirigente realize uma auditoria nas dívidas externa e interna e uma revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI): ?Cabe redirecionar a atual política econômica, voltada para o serviço das dívidas interna e externa, em detrimento dos investimentos sociais.?Em entrevista coletiva, Chemello afirmou, nesta sexta, que a igreja vai orientar seus fiéis a escolher com cuidado os candidatos, por meio de cartilhas, volantes, cartazes, programas de rádio, dentre outros veículos.?A igreja não indicará candidatos nem partidos?, garantiu o presidente da CNBB. Segundo ele, os padres também não serão incentivados a se candidatar nas próximas eleições. ?É melhor que o padre faça o trabalho dele?, afirmou.Para explicar essas posições, Chemello disse que pesquisas de opinião realizadas nos últimos anos indicaram que a maioria dos fiéis e dos cidadãos não deseja que a igreja intervenha diretamente na política partidária, indicando candidatos, mas que auxilie os eleitores a decidir melhor, por intermédio de informações e reflexões críticas.De acordo com o presidente da CNBB, um dos principais problemas do País é a fome. ?A fome continua sendo o maior flagelo, transformando-se numa verdadeira guerra que mata mais que todas as outras?, ressalta a CNBB, no documento divulgado nesta sexta.?Essa situação de fome perdura também porque maus políticos a utilizam para se manter no poder?, criticou.Chemello disse que, no Brasil, existem, pelo menos, 44 milhões de pobres, com renda diária inferior a US$ 1,08. Para a CNBB, seria necessário realizar uma justa redistribuição de renda no País. ?Não basta produzir alimentos em quantidade, se a eles a população toda não tiver acesso.?A CNBB alertou que o Congresso Nacional enfraqueceu-se ao tolerar o excesso de medidas provisórias editadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.A entidade criticou as pressões para que o Brasil adira à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). ?A potência hoje hegemônica no mundo vem pressionando o nosso País a aderir ao projeto da Alca, que ameaça aumentar a submissão do Brasil e de toda a América Latina aos interesses da economia dos Estados Unidos?, alertou a entidade.

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