CNBB pede voto em defesa da ‘vida’

Declaração da entidade sugere voto para candidatos contrários à legalização do aborto

José Maria Mayrink, enviado especial, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2010 | 09h10

BRASÍLIA - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quarta-feira, 12, véspera do encerramento de sua 48.ª Assembleia Geral, em Brasília, uma Declaração sobre o Momento Político Nacional, no qual incentiva os cidadãos a escolher "pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana".

 

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O documento encoraja os eleitores a superar possíveis desencantos com a política para expressar sua cidadania pelo voto ético, esclarecido e consciente nas eleições de outubro.

 

Ao fazer referência ao projeto de lei conhecido como Ficha Limpa, os bispos dizem esperar que ele "seja um instrumento a mais para sanar o grave problema da corrupção na vida política brasileira".

 

A proposta - de iniciativa popular que já conta com mais de quatro milhões de assinaturas segundo o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral - já passou pela Câmara dos Deputados e será votada pelo Senado.

 

Distorções inaceitáveis

 

Embora não conste do texto, fica implícito que a Igreja não apoia candidatos que defendem a legalização do aborto e outros pontos incluídos no Programa Nacional de Direitos Humanos.

 

"Além da descriminalização do aborto, há outras distorções inaceitáveis, como a união, dita casamento, de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por pessoas unidas por relação homoafetiva e a proibição de símbolos religiosos (em repartições públicas)", disse o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, em entrevista coletiva.

 

O cardeal salientou que a oposição a essas propostas não significa resistência da Igreja aos direitos humanos. "Quando os direitos humanos eram desrespeitados, a única voz que se levantava contra isso era a da CNBB", disse d. Odilo.

 

No caso do Programa Nacional de Direitos Humanos, acrescentou, é que "querem fazer passar por direitos universais o que é pretensão de grupos".

 

Responsabilidade

 

A declaração dos bispos sobre a política afirma que "o Brasil está vivendo um momento importante, por seu crescimento interno e pelo lugar de destaque que vem merecendo no cenário internacional". Adverte, no entanto, que "isso aumenta sua responsabilidade no relacionamento com as outras nações e na superação progressiva de suas desigualdades sociais, produzidas pela iníqua distribuição da renda, que ainda persiste".

 

Sem citar a hidrelétrica de Belo Monte, que d. Odilo mencionou ao explicar o texto, a declaração diz que os bispos se preocupam com a execução dos grandes projetos, "sobretudo na Amazônia, sem levar devidamente em conta suas consequências sociais e ambientais".

 

Para a CNBB, permanece também "o desafio de uma autêntica reforma agrária, acompanhada de política agrícola que contemple especialmente os pequenos produtores rurais, como fator de equilíbrio social".

 

Ao lembrar os 50 anos da inauguração de Brasília, os bispos afirmam que é preciso transformar a comemoração "em oportunidade para que a capital recupere o seu simbolismo original e se torne de fato fonte de inspiração para os sonhos de um País justo, integrado, desenvolvido e ecologicamente sustentável".

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