Ed Ferreira/AE
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CNBB envia carta a Dilma criticando ministra das Mulheres

Entidade ressaltou que sua posição "não trata a questão de forma ideológica, mas se preocupa com a vida humana"

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 15h59

Em carta à presidente Dilma Rousseff, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou a posição da nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, que defendeu a legalização do aborto. Em entrevista à imprensa, o presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, informou que a Igreja Católica reitera seu compromisso em "defesa da vida em todo o seu estado natural, desde sua concepção e é absolutamente contra o aborto". "A vida merece respeito desde o princípio, desde a concepção. Essa é uma questão inegociável", disse dom Raymundo.

 

A CNBB anunciou também nesta quinta-feira, 16, que a campanha da fraternidade deste ano focará o tema "Saúde Pública". A campanha será lançada oficialmente no dia 22 de fevereiro, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

 

Após encerramento da reunião mensal do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), dom Raymundo informou que não vai dar publicidade ao teor da carta antes que a presidente Dilma tome conhecimento do texto, mas disse que a posição da igreja é clara. "Não pudemos tergiversar sobre esse tema tão importante. A Igreja se preocupa com a maternidade e a paternidade precoces e com a gravidez indesejável. Por isso defendemos políticas públicas para as mulheres em situação de risco", explicou o arcebispo. "Qualquer debate sobre os direitos da mulher não pode excluir os direitos do nascituro", acrescentou o religioso.

 

A CNBB, segundo dom Raymundo, não interfere no direito da presidente escolher seus auxiliares. "A presidente é livre para escolher seus ministros. Não

interferimos nisso. Mas a CNBB estranha que logo no início dos trabalhos a ministra tenha abordado uma questão tão polêmica", disse. "Há outras questões mais relevantes que precisam ser tratadas pelo governo", acrescentou o arcebispo.

 

"Ela disse que se tratava de uma posição pessoal, não do governo. Não entramos em questões pessoais, nem em debate ideológico", completou o

secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner. "A CNBB só propõe o fundamental: a defesa da dignidade do ser humano, e por isso não deu uma nota pública até agora sobre a manifestação da ministra", disse. Segundo Steiner, a posição da ministra Eleonora não afeta as relações da Igreja Católica com o governo. "Foi uma mera declaração pessoal", completou.

 

A CNBB também falou sobre a campanha do Ministério da Saúde dirigida ao público homossexual para este carnaval, que orienta evitar relações de risco, mas que inclui também a distribuição de preservativos. "O governo tem o direito e o dever de se preocupar e de orientar a população com relação à saúde pública e especialmente em relação à transmissão do vírus HIV por grupos homossexuais. Em tese, a CNBB apoia esse tipo de campanha, mas entende que não basta", disse dom Raymundo, que se posicionou contrário apenas à distribuição de preservativos.

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