CNBB e MST "lavam" a corrupção e "queimam" o FMI

Trabalhadores sem-terra e representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) queimaram hoje, em Brasília, um boneco que simbolizava o Fundo Monetário Internacional (FMI) em frente ao Palácio do Planalto para marcar o 7º ano do Grito dos Excluídos. Cerca de 1.200 pessoas caminharam da Catedral de Brasília até o Palácio do Planalto gritando palavras de ordem, principalmente contra a corrupção e o FMI.Os manifestantes, que se uniram a estudantes e turistas, lavaram parte do piso da Praça dos Três Poderes para simbolizar a luta pelo fim da impunidade no País. Líderes do Movimento dos Sem-Terra (MST) que participaram do ato, organizado pela CNBB com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), aproveitaram para anunciar que, na última terça-feira, encaminharam um pedido de audiência ao presidente Fernando Henrique Cardoso. O MST, no entanto, ainda não obteve uma resposta da assessoria do Planalto.Na mesma hora em que marchavam na Esplanada dos Ministérios, Fernando Henrique participava das comemorações do 7 de Setembro, na Avenida do Exército, a cinco quilômetros do local da manifestação. Havia a expectativa de que os cerca de mil trabalhadores sem-terra, que estão acampados no Estádio Nilson Nelson, pudessem fazer um protesto contra o presidente no desfile oficial do 7 de Setembro. Mas os sem-terra passaram pela avenida 30 minutos antes de o presidente chegar.Os sem-terra, que prometem promover atos em Brasília até outubro, também plantaram sementes de abóbora, cebola e melão sem aditivos químicos em gramado nas imediações da Praça dos Três Poderes. Depois, eles ficaram em frente ao prédio do Congresso, onde cantaram algumas músicas, entre elas Para Não Dizer que Não Falei das Flores, de Geraldo Vandré. "Queremos mostrar que é preciso lavar a corrupção, queimar o FMI e semear o Brasil", disse Manoel Godoy, representante da CNBB.

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