CNBB diz que Marco Aurélio usou expressão ´inadequada´

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Odilo Scherer considerou "inadequada" a expressão usada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello para justificar a reposição dos salários dos magistrados. Na terça, Marco Aurélio afirmou que ministros do Supremo "haviam feito voto de pobreza", sobretudo diante do volume de trabalho que enfrentam e da importância da função exercida. "Está certo que juízes devem ganhar um salário digno. Mas não acima da lei", afirmou d. Odilo. Dom Odilo considerou que o ministro Marco Aurélio não foi feliz ao fazer a comparação com o compromisso de pobreza, firmado por muitos que ingressam na vida religiosa. "Mas foi só uma expressão", ponderou. Para o diretor da Rede Social de Direitos Humanos, Aton Fon, além de inadequada, a frase do ministro Marco Aurélio é cruel, principalmente quando se leva em conta o quanto o brasileiro médio recebe mensalmente. "Eu não diria que eles fizeram voto de pobreza. Principalmente quando se observa os índices de pobreza geral da população. Os mais carentes do País, então, fizeram voto de inanição."Aton Fon ressalta, porém, que ministros do Supremo devem receber um salário condizente com todo seu preparo, com investimento que foi feito ao longo da carreira para atingir esse estágio. "Tudo isso tem de ser levado em conta. Mas, pessoalmente, principalmente contando a série de vantagens oferecidas pela carreira, eu não diria que ministros ou magistrados fizeram o voto de pobreza."O presidente em exercício da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Aristóteles Ateniense, preferiu não se manifestar sobre a comparação do ministro Marco Aurélio. "Muitas vezes não consigo compreender o que o ministro quer dizer. Prefiro não criar polêmica", admitiu.

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