CNBB diz que ficará contente se Congresso elevar mínimo

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Majella Agnelo, e o vice d. Antonio Celso Queiróz disseram hoje que ficarão "contentes" se o Congresso alterar o valor do novo salário mínimo, estabelecido em R$ 260 pelo Palácio do Planalto. Os dois ressaltaram, entretanto, que duvidam que isso vá acontecer. A cúpula da entidade só poupou o governo ao elogiar a "transparência" do Ministério da Saúde no caso dos "perigosos" vampiros, como são chamados os envolvidos no esquema de compras de hemoderivados. Na avaliação de Queiróz, o Executivo demonstrou vontade em acabar com a corrupção na Saúde, mas não teve "jogo de cintura" ao reajustar o mínimo em apenas R$ 20. "Gozado, né, os que eram contra um salário tão mínimo agora são a favor. Já os que eram a favor agora são contra", disse. "De novo, a vida do povo depende de jogo político." Durante entrevista para comentar os resultados da reunião do Conselho Episcopal Pastoral, realizada nesta semana em Brasília, a direção da CNBB também criticou o governo pela demora em enviar uma proposta ao Congresso substituindo a medida provisória que proibia casas de bingos. Rejeitada no início deste mês pelo Senado, a MP foi editada pelo governo no auge da crise do caso Waldomiro Diniz, ex-assessor da Presidência acusado de pedir propina a um bicheiro. "Infelizmente, muitas vezes as coisas acontecem porque são provocadas por acidentes de percurso", disse d. Geraldo Majella. "Só quando acontece algum crime é que se lembra de apresentar, apressadamente, uma lei, que muitas vezes não passa de interesse pessoal ou de grupo."

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