CNBB discute assuntos políticos - fome e miséria

Apesar de pregar o distanciamento do enfoque político, principalmente devido à proximidade das eleições, as discussões dos bispos reunidos em Indaiatuba, no interior de São Paulo, na 40ª Assembléia Nacional dos Bispos do Brasil giram em torno de assuntos altamente políticos, como fome e miséria, abordados no tema do encontro: "CNBB- 50 anos: presença histórica, desafios e prospectivas".D. Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias (RJ), relembrou o movimento pela ética na política, iniciado no final de 1993, quando d. Mauro de Almeida apresentou ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma síntese com 30 páginas sobre a questão da fome no país."É preciso que a questão da fome e da miséria entre na agenda. É preciso planejamento e ação política e a implementação de medidas para reduzir a exclusão social", disse. Morelli desafiou ´qualquer prefeitura´ a mostrar os dados do Sinvan (Sistema de Vigilância Alimentar Nacional), boletim sobre as condições sociais das crianças com até 6 anos, parte integrante do Estatuto da Criança e Adolescente."Os números devem refletir a cara, o nome e o endereço de cada criança em seu município. Desafio os governantes para que mostrem essas informações, que gerem planos básicos e eficientes de combate à desnutrição." O bispo de Duque de Caxias (RJ) se disse "indignado, com vergonha e dor por um País que não tem respeito por suas crianças".Avaliou como positivas as ações da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) sobre a obrigatoriedade do registro civil. Criticou o Bolsa-Escola, dizendo que esse programa "não adianta", argumentando que a criança precisa em primeiro lugar sair da subnutrição para depois poder aprender na escola.Elogiou a Pastoral do Menor, mas discorda da publicidade em torno de um Nobel da Paz. O arcebispo de Porto Alegre (RS) d. Dadeus Grings falou que a CNBB sempre pretendeu a transformação para uma sociedade mais justa.Mesmo depois de terminado o 40º encontro da CNBB, no próximo dia 19, os bispos vão continuar o diálogo, reunindo informações até junho, quando acontece a próxima cúpula em Brasilia, por ocasião do simpósio sobre Segurança Alimentar.Perguntado pelo Estado sobre o Movimento dos Sem-Terra (MST), d. Morelli acrescentou que o movimento é justo, porém caracterizado por muitos conflitos. Para ele, a terra, na cidade ou no campo, deveria ter critérios mais definidos acerca do tamanho de cada propriedade."A ofensiva do MST é uma resposta à incúria e à incompetência de toda uma sociedade. O MST presta um grande serviço. Não é de violência, mas, ocasionalmente, vive tensões."Estava prevista para esta segunda-feira, às 18 horas, uma celebração ecumênica com representantes de diversas igrejas cristãs: Metodista, Ortodoxa Antioquiana, Evangélica de Confissão Luterana, Presbiteriana Unida e Presbiteriana Independente.

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