CNBB critica reajustes a Executivo e Legislativo

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou nesta quinta-feira o reajuste de 26,5% para deputados, ministros e para o presidente da República, aprovado pela Câmara. Mesmo reconhecendo que o aumento é menor que a tentativa feita no final do ano passado, de dobrar os salários dos parlamentares, o presidente da CNBB, d. Geraldo Magella, é preciso sempre comparar com o salário mínimo. "Heróis são os que sobrevivem com o salário mínimo", disse d. Geraldo, lembrando a fala em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou seus ministros de heróis por sobreviverem com um salário de R$ 8 mil. D. Antônio de Queirós, vice-presidente da CNBB, afirmou que é uma "enorme insensibilidade" no aumento e "não há ética nenhuma" em reajustar os próprios salários. Os bispos concederam nesta quinta uma entrevista, ao final da 26ª. Reunião do Conselho Episcopal Pastoral, onde foi feita uma análise da conjuntura brasileira. No final do encontro, a CNBB revelou duas preocupações principais: o aumento da corrupção e o risco trazido pela intenção de aumentar a produção de etanol no País. "Nossa preocupação é que se transforme o Brasil em um imenso canavial. Não há País que tenha concentrado na cana-de-açúcar sua fonte de riqueza e tenha prosperado. Não é o etanol que vai salvar o mundo", afirmou d. Geraldo Magella, citando as ilhas do Caribe e mesmo o nordeste brasileiro. D. Odilo Scherer, o recém eleito arcebispo de São Paulo, disse que a produção de álcool traz impactos ambientais e sociais e teme ver o aumento de latifúndios e do êxodo rural. Os bispos comentaram ainda a declaração do presidente Lula, de que os usineiros se transformaram em heróis no seu governo. "Não acredito que ele pense isso. As pessoas quando se entusiasmam dizem coisas como essa. Acredito que ele tenha apenas dito que é uma fonte de renda", disse d. Geraldo. Outra preocupação manifestada pela CNBB foi sobre as obras anunciadas pelo governo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o risco de corrupção que elas trazem. "Nesse clima de corrupção em que essas obras são feitas, não se sabe para onde vai todo o dinheiro. A gente não duvida das boas intenções, mas temos que ver até que ponto serão executados esses planos", disse d. Antonio.

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