CNBB critica política econômica do governo

Tradicional aliada do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está divulgando na internet a sua análise de conjuntura mensal com severas críticas à política econômica do governo. O documento abre dizendo que o governo Lula submeteu-se às regras de mercado e "tem se orientado, em que pese seu discurso, mais pela bússola dos indicadores financeiros (que vão bem), do que pelos indicadores sociais (que vão mal)".No documento da CNBB, assinado pelos padres Ernanne Pinheiro, Alfredo Gonçalves, Bernard Lestienne, Antônio Abreu, Thierry Linard e Guilherme Delgado e por Pedro Ribeiro de Oliveira, assessor da entidade, é dito que o fato mais relevante do mês foi a manutenção da taxa de juros de 26,5%. Isso, de acordo com a CNBB, não só demonstra a autonomia do Banco Central, que seria imune aos clamores do setor produtivo e dos consumidores, mas também que o Tesouro continuará desembolsando, a cada mês, cerca de R$ 10 bilhões somente para pagar juros . "Embora o cidadão comum se assuste com tal montante jogado pela janela, como diz o vice-presidente (José Alencar), os técnicos do Tesouro Nacional comemoram o resultado, porque demonstra a confiança do mercado, que está aceitando títulos emitidos com prazo médio superior a 18 meses", ataca a CNBB. Outro ataque diz respeito à elevação, pelo governo petista, da meta de superávit primário, que passou dos 3,75% no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para 4,25% no de Lula. Segundo a CNBB, nos primeiros meses a equipe de Lula alcançou quase 5%. "Isso significa que quase R$ 25 bilhões foram retirados dos gastos e investimentos do Governo e redirecionados para pagar juros. Assim, os bancos credores, que dispõem de vultuosos recursos para comprar títulos da dívida pública, tiveram neste primeiro trimestre lucros que superaram de longe a festa do ano passado".Mas nem tudo são críticas. A CNBB elogia, no texto, a política externa do governo que, de acordo com a entidade, tem priorizado a defesa da soberania e dos interesses do Brasil. "Mudanças internas ao Itamaraty e o ritmo mais lento nas negociações da Alca, podem levar à rejeição de uma proposta nos mesmos moldes do Nafta (o acordo comercial dos Estados Unidos, México e Canadá), que fez aumentar muito a pobreza no México". A CNBB lembra ainda que o Brasil arquivou o acordo de uso da Base Militar de Alcântara pelos Estados Unidos.

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