CNBB compara tortura da ditadura à atual e quer abrir arquivos

Em solenidade para lembrar os 40 anos do AI-5, D. Dimas critica a violência nos presídios e nas favelas do País

Marcelo de Moraes, de O Estado de S. Paulo,

11 de dezembro de 2008 | 18h32

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Dimas Lara Barbosa, defendeu nesta quinta-feira, 11, que haja uma atenção especial contra atos de força praticados hoje em dia e que avalia serem comparáveis às torturas cometidas durante o período da ditadura militar. Em solenidade realizada na Câmara dos Deputados para lembrar os 40 anos da edição do Ato Institucional número 5 (AI-5), D. Dimas criticou a violência praticada em presídios, a insegurança dos moradores de favelas e as ameaças de morte feitas contra bispos na região do Xingu, entre outros problemas.       Veja também:  AI-5: 40 anos de um atentado à liberdade   Por conta disso, o secretário-geral da CNBB defendeu que o governo abra todos os arquivos secretos referentes ao período da ditadura militar como forma de resgatar a memória brasileira e tentar mostrar à sociedade todo o lado negativo da repressão aos direitos individuais.   "Essa mentalidade de uso da força não está tão afastada da nossa realidade não. Ouço dizerem coisas como a polícia é o inseticida social. Existe também uma ascensão política muito perigosa de pessoas ligadas ao crime organizados. Então, a abertura dos arquivos seria importante como resgate dessa memória histórica para evitar o avanço desse tipo de coisas ", diz, preferindo, porém, não assumir a defesa de punição para os que praticaram tortura durante a ditadura. "Eu me preocupo em distinguir o sentimento de resgate da memória do sentimento de vingança", acrescentou.   Se a CNBB não defende a punição aos torturadores, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), César Britto, apoiou a medida abertamente durante o evento da Câmara. "A Ordem defende essa posição e entende que é importante para o resgate da história do País, até porque crimes de tortura não podem ser anistiados na nossa visão", avalia.   Representante do governo na solenidade, o ministro da Justiça, Tarso Genro, preferiu se concentrar em falar sobre a importância da recuperação da democracia no Brasil, depois de um período tão negativo provocado pela edição do AI-5, em 13 de dezembro de 1968. Um dos principais defensores dentro do governo da punição para os torturadores, Tarso preferiu seguir as instruções do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de evitar o debate público sobre o assunto.   "Quem trata de arquivos é a Casa Civil", esquivou-se o ministro. "Esse evento é importante para afirmar a democracia", disse, logo depois do evento que teve também a presença do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

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