CNA apoia Mendes e diz que MST é criminoso

Nota assinada pela senadora Kátia Abreu aponta ?complacência? do governo federal

ROLDÃO ARRUDA, ELDER OGLIARI E ALEXANDRE RODRIGUES, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) lançou ontem uma nota de apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, por suas recentes declarações sobre a ilegalidade do repasse de verbas públicas a entidades que promovem invasões de terras. Assinada pela presidente da entidade, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), a nota afirma que o presidente do STF "cumpre com rigor e responsabilidade institucional seu papel de guardião da Constituição e do Estado de Direito".A senadora afirma que a entidade que preside "representa os produtores rurais atingidos pelas 1.667 invasões ilegais de terras praticadas nos últimos seis anos pelo MST" - numa referência ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda na nota, diz lamentar o fato de o MST contar "com a complacência de autoridades do governo federal, recebendo financiamento público para suas ações ilegais".A nota também acusa o MST de ser "uma entidade ilegal que pratica crimes em série" e diz que "seus líderes comandam grupos que sequestram, vandalizam, torturam e matam".PROVASDe passagem por Porto Alegre, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, disse ontem que acolhe com seriedade as recentes declarações do presidente do STF, mas também deu a entender que eventuais irregularidades deveriam ser apontadas: "Como não há ilicitude em abstrato, preciso saber qual o convênio, qual o contrato que tem algum problema para poder saneá-lo. Desconheço convênios ilegais."No Rio, o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, também se manifestou sobre as declarações de Mendes. Para ele, é preciso apurar eventuais crimes cometidos por militantes do MST, mas sem "satanizar" o movimento.Numa alusão ao período da ditadura militar, Vannuchi disse que os sem-terra estão se tornando os "comunistas"da atualidade. Chegou a comparar as críticas ao movimento à perseguição aos judeus na Alemanha nazista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.