Clube Naval critica ''''bravata'''' de Jobim

Em nota, oficiais da reserva falam em 'uma infeliz figura de retórica' usada pelo ministro da Defesa

Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2004 | 00h00

Num tom mais incisivo que o do Exército, o Clube Naval também reagiu à forma como foi lançado, pelo governo, o livro Direito à Memória e à Verdade - que relata torturas e casos de desaparecidos políticos durante o regime militar. A nota do Clube, divulgada na sexta-feira, 31 - mesmo dia da nota do Exército -, chama de "bravata, fora de propósito, aliás", o pronunciamento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que afirmou, no lançamento do livro, que "não haverá indivíduo que possa reagir e, se houver, terá resposta". Leia a íntegra da nota   A frase do ministro irritou os militares e foi considerado "uma afronta desnecessária". Na sua réplica, o Clube Naval define o gesto do ministro como "uma infeliz figura de retórica, que soa como pequena bravata, fora de propósito, aliás".Assinado pelo almirante-de-esquadra José Júlio Pedrosa, presidente do Clube Naval, o texto explica que não foi o livro que mais irritou o pessoal da Marinha. "Entre perplexos e indignados", diz ele, "presenciamos o triste espetáculo do lançamento, em Brasília, de um livro carregado de ressentimento e inverdades. Obviamente, não foi o livro em si o motivo da revolta. Afinal, muitas outras obras do gênero já foram publicadas e, em uma democracia, devemos admitir que todos têm o direito de expressar suas idéias. O sentimento de afronta tem origem no caráter oficial dado ao ato, na presença do próprio presidente da República, comandante-em-chefe das Forças Armadas, e na infeliz participação do ministro da Defesa."Seguem-se elogios ao ministro Jobim, que "chegou ao Ministério no bojo de grave crise" e "demonstrou vontade de acertar, conseguindo passar à opinião pública algumas qualidades importantes: apetite para o exercício da autoridade, algo mais do que necessário; vontade de participar das atividades desenvolvidas no âmbito das Forças Armadas, algo desejável a quem pretenda entender as peculiaridades do cargo; e percepção rápida de uma prioridade primordial - aumentar a dotação orçamentária das Forças Armadas". Mas, em seguida, muda o tom: "Nesse contexto, é preferível entender a despropositada ameaça proferida pelo ministro apenas como uma infeliz figura de retórica, que soa como pequena bravata, fora de propósito, aliás." Na nota do Exército, o comandante da arma, general Enzo Martins Peri, havia dito, sobre críticas do livro aos militares do passado, que "não há Exércitos distintos. Ao longo da História, temos sido sempre o mesmo Exército de Caxias, referência em termos de ética e de moral".

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