Clube Militar lança campanhe e defende 'solução legal' para crise política

Organizadores pregam 'busca da ética', mas se dizem contrários a impeachment e intervenção

O Estado de S.Paulo

20 de março de 2015 | 02h01

RIO - Em palestra no lançamento da Campanha pela Moralidade Nacional do Clube Militar, o presidente da entidade, general da reserva Gilberto Pimentel, atacou ontem o governo federal. Ele citou o que definiu como "quadro crítico que vive a Nação" e exaltou o golpe de 1964, que chamou de "revolução democrática" e "um dos momentos memoráveis" em que o clube esteve presente na história do País. Procurou, porém, dissociar a iniciativa dos pedidos de impeachment da presidente, proposta defendida por parte dos manifestantes que foram às ruas no domingo passado.

"Essa campanha não tem nada a ver com impeachment. O clube é absolutamente contra intervenção. Somos a favor de soluções previstas na Constituição", disse o general. Indagado sobre a defesa que havia feito do golpe, declarou: "Fui absolutamente a favor e participei da revolução democrática de 1964. Mas ali a sociedade pediu a intervenção das Forças Armadas, foi muito diferente do que acontece hoje. A mídia pediu."

Sobre torturas e assassinatos ocorridos no período ditatorial, não quis falar. "Não discuto isso. Digo que os políticos devem ter juízo para evitar que o País entre em um caos e alguém tenha que tomar conta. Em 1964, os jornais e a sociedade pediam a intervenção das Forças Armadas. Hoje, temos um governo que não está agradando, mas está dentro da lei."

'Chute'. O único palestrante convidado foi o empresário James Akel, que se referiu à presidente Dilma Rousseff como "guerrilheira" e afirmou que teria "dado um chute" nela no último debate antes da eleição de 2014. Foi aplaudido pelas cerca de 50 pessoas no Salão Nobre do Clube Militar. O palestrante também afirmou que "impeachment não é golpismo".

Indagado sobre a fala do convidado, o general da reserva disse que "hoje ainda não estão reunidas as condições para se chegar a isso (impeachment)".

Segundo Pimentel, o objetivo da campanha é reunir até abril artigos para debater caminhos "na busca da ética", a partir da constatação de "distorções" como "corrupção em todos os níveis", "os direitos das minorias prevalecendo sobre os da maioria" e "imposição do politicamente correto".

O clube publicou em seu site um texto sobre as manifestações de 15 de março pelo País intitulado "Pensamento do Clube Militar". A instituição afirma que o Brasil "mudou para sempre e para melhor" a partir dos protestos. Reforça que o País "tem Forças Armadas avessas à execução de políticas partidárias e ideologias em seu âmago, dedicando-se, exclusivamente aos interesses nacionais".

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