Prefeitura de Rio Claro/Divulgação
Prefeitura de Rio Claro/Divulgação

Clone da árvore que marcou a República é plantado 130 anos depois em Rio Claro

Muda vai crescer ao lado da árvore original, que já completou seu ciclo de vida

José Maria Tomazela , O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2019 | 11h03

SOROCABA - Um clone da Árvore da Liberdade, plantada há 130 anos para comemorar a Proclamação da República, foi replantado no sábado, 14, no mesmo local, em Rio Claro, interior de São Paulo. A muda vai crescer ao lado da árvore original, que já completou seu ciclo de vida e está seca. A planta é uma araucária, também conhecida como pinheiro-brasileiro, que já foi muito comum na Região Sul do Brasil, mas hoje está ameaçada. O objetivo, segundo a prefeitura, é reforçar a importância de Rio Claro no movimento nacional que levou à Proclamação da República.

Como há 130 anos, o plantio mobilizou autoridades, estudantes e moradores locais. “A cópia viva da árvore original, que ora sucumbe por sua longa idade, incorpora a perpetuação dos ideais republicanos em nosso País. Condenada pela passagem do tempo, a espécie original permanece ao seu lado para lembrar às novas gerações a importância das liberdades democráticas”, disse, no evento, o prefeito João Teixeira Junior (DEM).

A primeira árvore foi plantada em 15 de dezembro de 1889, um mês após a Proclamação. No mesmo, dia, a Praça da Matriz, assim chamada por ficar em frente à principal igreja da cidade, passou a se chamar Praça da Liberdade em homenagem à queda do Império.

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Rio Claro foi um dos primeiros municípios paulistas a se mobilizar politicamente para a mudança de regime. Aqui residiam ou tinham seus familiares personagens importantes do movimento republicano, como José Alves de Cerqueira César, Alfredo Ellis, Cândido Valle e Campos Salles
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José Roberto Sant'Ana, historiador

Sob a liderança de Cerqueira César, um dos fundadores do jornal A Província de S. Paulo, atual Estadão, Rio Claro foi a primeira cidade paulista a eleger maioria republicana na Câmara. Em quase 20 anos de atuação como advogado na cidade do interior, Cerqueira César se converteu em importante liderança regional. Foi vereador por três mandatos a partir de 1870 e construiu o alicerce para se tornar uma liderança nacional. Ao lado de Prudente de Moraes, de Itu, e de Campos Salles, de Campinas, ele teve papel decisivo no movimento pelo fim da monarquia no Brasil.

O ato cívico de sábado procurou ser fiel à homenagem de 1889. A placa comemorativa do plantio original, que havia sido furtada, foi refeita e colocada na praça. Os estudantes desfilaram levando as bandeiras de cada um dos Estados brasileiros. Na época, o hino nacional brasileiro ainda não tinha sido composto, por isso as bandas executaram a Marselhesa, o hino nacional francês, considerado uma ode à liberdade. No plantio do clone, além do hino francês, a banda da Guarda Mirim tocou também o hino de Rio Claro e o Hino Nacional.

Sant’Ana conta que a ideia de plantar uma árvore brasileira em homenagem à República foi dos membros do Partido Republicano local, Roberto de Almeida Leme e Paulino Carlos de Arruda Botelho. A muda foi trazida de Santa Catarina por Bruno Meyer, um catarinense de Blumenau que havia se mudado para Rio Claro. Há alguns anos, notando que a araucária estava ficando velha, os técnicos da prefeitura produziram novas mudas através da clonagem de material da árvore solitária.

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