Agência Câmara
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Clima entre opositores de Cunha é de apreensão com voto de Tia Eron

Parlamentar será decisiva para aprovar a cassação do presidente afastado da Câmara; o placar previsto no momento é de 9 votos pela cassação e 10 contra

Igor Gadelha e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2016 | 15h03

BRASÍLIA - O clima no Conselho de Ética é de apreensão entre opositores do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Parlamentares relatam preocupação com informações não oficiais de bastidores, dando conta de que a deputada Tia Eron (PRB-BA) poderá votar contra a cassação do peemedebista. 

O voto da parlamentar é considerado decisivo para aprovar a perda do mandato de Cunha. O placar previsto no momento é de 9 votos pela cassação e 10 contra. Se Tia Eron empatar o placar, caberá ao presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), dar o voto de minerva. O deputado deve votar pela perda de mandato de Cunha.  

Membro titular do conselho, o deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) diz que sua preocupação advém de uma confiança muito grande entre aliados de Cunha no colegiado sobre a votação do parecer pela cassação. Segundo ele, caso a informação se confirme, ficará claro a influência do governo Michel Temer na votação. 

Na avaliação do tucano, caso o voto de Tia Eron pró-Cunha se confirme a base aliada do presidente em exercício Michel Temer estará colocando o voto da deputada baiana no "colo do governo". Para Marchezan, a base estará prestando um "desserviço" ao governo do peemedebista. "A sensação é de que deputada Tia Eron foi abduzida", brincou. 

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) relatou uma "preocupação" grande com o voto de Tia Eron. Após mais de quatro horas de sessão, a deputada baiana ainda não apareceu no plenário em que a reunião do conselho está sendo realizada. Sua assessoria diz, contudo, que ela virá para votação.

Apareceu. Em nota divulgada na tarde desta terça-feira, 7, a deputada Tia Eron (PRB-BA) disse que está em Brasília "a postos" para cumprir com sua obrigação no Conselho de Ética. Sem a presença da deputada, considerada dona do voto decisivo sobre o pedido de cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os membros que defendem uma punição mais severa ao peemedebista, manobraram para adiar por um dia a votação com receio do relatório ser derrotado.

No texto, Tia Eron diz que se a sessão alcançasse a fase de votação, teria apresentado seu voto. Ela lembrou que a sessão foi suspensa não por sua ausência, mas pela decisão do relator Marcos Rogério (DEM-RO) de avaliar a proposta de parecer mais brando apresentado pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA).

"Estou convicta da grande expectativa que há em nosso País, referente a esta representação e não me furtarei a cumprir com meu dever", declarou.

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