Clima é tenso entre fazendeiros e MST em Minas

O Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro) iniciou nesta segunda-feira a convocação de proprietários de terra do norte de Minas para assumir a defesa da Fazenda Caatinga, no município de São Francisco, invadida na última semana por cerca de 200 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).A Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG), até o final da tarde desta segunda, garantia que a situação era tranqüila na região, mas a liderança dos sem-terra prometeu reagir a qualquer tentativa de desocupação por parte dos fazendeiros.O presidente do Sinapro, Narciso Rocha, que está desde o último sábado no município, cobra da PM o cumprimento do mandado de reintegração de posse expedido na semana passada pelo Juiz da Comarca, Richardson Brant Xavier. ?Permaneceremos ao redor de toda a propriedade até que a liminar seja cumprida?, disse Rocha.Em um comunicado divulgado nesta segunda, o sindicato afirmava que ?há um forte prenúncio de um confronto grave entre os fazendeiros da região e o MST, caso as autoridades policiais locais não cumpram de imediato a ordem judicial?.O coordenador nacional do MST na região do Distrito Federal e entorno, Cledson Mendes, confirmou que o clima ficou tenso entre fazendeiros e trabalhadores rurais. ?Se eles quiserem nos despejar, nós estamos preparados para enfrentar. Vai morrer gente dos dois lados, mas sem dúvida vai morrer mais do lado deles?, disse Mendes.Segundo ele, aproximadamente 170 famílias permanecem acampadas na propriedade. ?Se for preciso, enchemos mais cinco ou seis ônibus?. O coordenador do MST negou, no entanto, que os sem-terra acampados na Fazenda Caatinga estejam portando armas de fogo, como acusam os fazendeiros e policiais militares de São Francisco.De acordo com Narciso Rocha, a propriedade está parcialmente destruída, a sede foi queimada e dezenas de cabeças de gado já foram abatidas. Os invasores ? cujos líderes seriam os mesmos que comandaram a ocupação da fazenda do presidente da República, em Buritis (MG) ?, segundo ele, prometeram intensificar a destruição das instalações da Caatinga e abater todo o gado restante nas próximas horas.O presidente do Sinapro disse ainda considerar ?legítimo? que os proprietários da região que possuam porte de arma, se dirijam armados para a vigília da propriedade invadida. Ele acusou o governador Itamar Franco (sem partido) de impedir a PM mineira de ?tomar a decisão que deveria tomar?.Segundo o Instituto da Terra de Minas Gerais (Iter-MG), o governo estadual determinou que a PM deverá agir somente após o julgamento da liminar de reintegração de posse pela Vara Agrária, sediada em Belo Horizonte.?Esse sindicato está fazendo sensacionalismo barato. A situação está sob controle. Por parte da PM, nós queremos resolver o problema sem violência?, rebateu o major Fernando José de Oliveira Guimarães, assessor de comunicação organizacional da Terceira Região da Polícia Militar, em Montes Claros (MG).A Fazenda Caatinga pertence à Pontal Empreendimentos Agropecuários e sofreu duas invasões na última semana. Cerca de 22 funcionários que estavam na propriedade foram expulsos pelos sem-terra. Um levantamento feito há aproximadamente um mês pelo Iter revelou que a propriedade é "parcialmente? uma ?terra devoluta?, possuindo 2.358 hectares registrados. ?Trata-se de uma terra devoluta, e a intenção do governo é transformá-la em assentamento?, assegura Cledson Mendes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.