Clima de harmonia global oculta divisões inconciliáveis

Já na abertura partidos de esquerda disputaram para ver quem aparecia mais

Roldão Arruda, BELÉM, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

A grande diversidade das ideias apresentadas no Fórum Social Mundial é vista por alguns como sua maior glória e, por outros, como seu tropeço. Na nona edição do evento, que termina hoje, a organização aceitou 2.600 propostas de eventos, de mesas-redondas e oficinas a shows, marchas, atos religiosos - sem contar os eventos prévios ou paralelos.Em Belém foi possível assistir a quase uma dezena de diferentes debates sobre a crise econômica mundial, cada um organizado por uma corrente política - que não se mistura com outra. Entre quase 5 mil ONGs e movimentos sociais envolvidos, há de praticantes de ioga e divulgadores da ayuasca - raiz alucinógena utilizada em cerimônias religiosas -, a grupos políticos altamente organizados que lutam pela independência de seus povos: catalães, bascos, galegos, corsos, palestinos e curdos.Respira-se por toda parte um clima de harmonia global. Mas o limite não é largo. Já na marcha de abertura partidos de esquerda disputaram entre si para ver quem aparecia com mais destaque. As divisões ficaram ainda mais visíveis durante o encontro.A Tenda Irmã Dorothy era praticamente um ponto de reavivamento da fé dos agentes de comunidades de base da ala progressista da Igreja Católica. A Tenda Cuba 50 Anos parecia destinada a exaltar a revolução cubana, a suposta revolução bolivariana de Hugo Chávez na Venezuela e o governo Lula. O Movimento dos Sem-Terra (MST) fez encontro à parte e não foi à marcha.No acampamento da juventude, onde se amassou lama todo dia, viam-se bandeiras delimitando áreas e tendências políticas de movimentos estudantis: PSOL, PC do B e outras. As ricas ONGs europeias hospedam seus representantes em bons hotéis, como o Crowne Plaza e o Hilton. As mais pobres, em hotéis modestíssimos, escolas e casas de família - com diária de R$ 27 a R$ 38.Essa diversidade deve continuar. No Conselho Internacional, formado por representantes de 128 entidades, a maioria ainda acredita que não existe formato melhor para o fórum.O repórter viajou a convite da Funai

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