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Clésio Andrade se apresenta e depõe sobre suspeita de desvio de dinheiro

Para polícia, esquema chefiado por ex-senador teria movimentado R$ 20 milhões com pagamento de gratificações desproporcionais a servidores do Sest/Senat e funcionários fantasmas

Bernardo Caram , O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2014 | 18h24

Atualizada às 21h24

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu nesta sexta-feira, 19, quatro ex-dirigentes do Serviço Social do Transporte (Sest) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat). O grupo, conforme a investigação, teria participado de esquema de desvio de recursos públicos que movimentou R$ 20 milhões em dois anos. Suspeito de chefiar o esquema, o ex-senador e presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade (PMDB), prestou depoimento em Belo Horizonte em cumprimento a um mandado de condução coercitiva. 

Policiais realizaram busca e apreensão na casa de Clésio na capital mineira. O ex-senador e ex-vice-governador do Estado - durante o primeiro mandato de Aécio Neves (PSDB), atual candidato à Presidência - se apresentou à tarde no Ministério Público Estadual e negou que tivesse conhecimento do suposto esquema. Clésio é réu no chamado mensalão mineiro - acusação de desvio de recursos para a campanha à reeleição do então governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998 - e renunciou ao mandato de senador em julho. Com isso, a ação penal a que ele respondia no Supremo Tribunal Federal será remetida para a 1.ª instância. 

 

O inquérito instaurado pela Polícia Civil do Distrito Federal, que atuou em conjunto com o Ministério Público e a Controladoria-Geral da União, investiga o pagamento de gratificações desproporcionais a servidores do Sest/Senat - entidades ligadas à CNT - e o uso de funcionários e empresas fantasmas para desviar recursos.

Em Brasília, foram presas temporariamente a ex-diretora-geral do Sest/Senat Maria Tereza Pantoja, a coordenadora de Contabilidade, Jardel Soares, a coordenadora de Administração, Nilmara Chaves, e a assessora especial, Anamary Socha. O patrimônio atual das quatro presas gira em torno de R$ 35 milhões. Um total de 16 carros, dois cofres e dinheiro foram apreendidos.

Um dos 30 investigados, que tinha salário anual equivalente a R$ 200 mil, teve um rendimento de R$ 1,6 milhão em 2012. Outro prestador de serviços, contratado para ornamentar plantas dos jardins do órgão, recebeu cerca de R$ 1,7 milhão em um ano. Há também a suspeita sobre um lava jato, que teria embolsado cerca de R$ 2 milhões em um ano em contratos com o Sest/Senat.

A suspeita sobre o esquema foi levantada quando o ex-senador enviou à polícia explicações sobre o pagamento de gratificações a servidores do órgão. O delegado-chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, Fábio Santos de Souza, afirmou que há indícios de que o documento seja fraudado. “Temos informações de que esse ato normativo que define isso (as gratificações) foi fraudado para tentar justificar o pagamento.”

Acusações rejeitadas. Andrade negou nesta sexta, ao se apresentar ao Ministério Público no Estado, ter conhecimento do suposto esquema de desvio de R$ 20 milhões do Sest/Senat, investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal. Ele disse que reassumiu nesta sexta mesmo a presidência da CNT após estar licenciado desde abril, e que ainda teria de tomar conhecimento sobre as denúncias. "Estou determinando duas medidas: a primeira é uma sindicância interna para apurar essas denúncias. E o segundo ponto é que estou afastando, até a apuração final, os diretores colocados como envolvidos."

Durante um ato de campanha em Belo Horizonte, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, se recusou a responder quando questionado sobre a investigação contra Clésio. / COLABORARAM ALEX CAPELLA e MARCELO PORTELA

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