Cláudio Couto

Professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP)

O Estado de S. Paulo

16 de março de 2015 | 23h37


O 15 de março é um marco da história política brasileira. Após três décadas - desde os estertores da ditadura - em que a esquerda puxou a fila das grandes mobilizações no Brasil, agora foi a direita a fazê-lo. Isto não ocorria desde 1964, quando das "Marchas da Família com Deus e pela Liberdade". Isto não significa que todos manifestantes sejam de direita. Eis aí a força do episódio: a direita capitaneou uma mobilização que lhe ultrapassa.


Daí a encalacrada de Dilma e do PT. O ensimesmamento, a arrogância e falta de autocrítica diante de seguidos escândalos de corrupção - turbinados pela desastrosa política econômica do primeiro mandato e pela incompetência na gestão da coalizão - deram substância a ressentimentos de classe produzidos pela redução das desigualdades dos anos Lula. Resultado: deu-se a setores médios conservadores oportunidade para liderar até mesmo os que emergiram.

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