''Claro que não houve boicote'', diz delegado

Magro contesta Protógenes e afirma que teve total apoio da cúpula da PF

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 00h00

O delegado federal Carlos Eduardo Pellegrini Magro atribuiu ontem a "uma reação do crime organizado" informações que buscam desqualificar a Operação Satiagraha, na qual ele teve participação decisiva - comandou a equipe que, na manhã de 8 de julho, prendeu no Rio o banqueiro Daniel Dantas e outros 10 suspeitos.Magro desmontou a versão do delegado Protógenes Queiroz, mentor da Satiagraha, segundo o qual o comando da Polícia Federal boicotou a missão. "A cúpula da instituição deu todo o apoio", declarou Magro, de 32 anos, há 5 na corporação. "Claro que não houve boicote, o que é isso? Agora, se existem algumas brigas por vaidade eu não sei o que está acontecendo. O trabalho foi coeso."A PF informou à Procuradoria da República que a Satiagraha custou R$ 466 mil.Magro defendeu enfaticamente a atuação do superintendente da PF em São Paulo, delegado Leandro Daiello Coimbra, e do diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado da PF, delegado Roberto Troncon."É uma leviandade falar que o dr. Leandro e o dr. Troncon não apoiaram a operação. Como eu ia trazer os presos do Rio para São Paulo sem o avião? Como ia trazer todos esses presos se não tivesse apoio? Trabalhamos com amplo incentivo da administração. Prendemos todos os alvos, fizemos a colheita de provas, colocamos os presos no avião. Como ia movimentar um avião que custa R$ 40 mil a hora de vôo se não tivesse o aval da cúpula?", assegurou.O delegado foi incluído na operação um mês antes da deflagração, para cuidar do planejamento e execução. Ele conta em seu currículo com outros trabalhos vitoriosos, como a prisão do comerciante chinês Law King Chong.Magro nega que na polêmica reunião gravada da PF, na qual se discutiram os erros da Satiagraha, tenha se negado a fornecer os nomes dos alvos da operação aos seus superiores. "Eu quero que alguém prove isso." Também desmente informação da Procuradoria de que, no encontro fechado com 11 colegas, teria admitido o vazamento da operação para a imprensa. "Eu jamais disse isso, é uma deturpação."Magro anotou que o contra-ataque do crime organizado se deve ao fato de que a PF se estruturou e começou a algemar "abastados". "Estamos sofrendo uma reação, mas nos protegendo com escudo. Estamos agrupados, unidos. Verifica-se a infiltração em determinados Poderes, o crime organizado atua com violência e grave ameaça ou por suborno e chantagem, sempre cooptando. Não temos medo do crime organizado, jamais. Nossos argumentos são o trabalho. Aqui é telhado de aço inoxidável com chumbo que não derrete."

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