Claques pró-Dilma e pró-Campos ficam separadas em evento em Pernambuco

Presidente e governador dividiram palanque pela 1ª vez desde que se intensificaram movimentações do pernambucano em lançar candidatura em 2014

Bruno Boghossian, enviado especial para O Estado de S. Paulo

25 de março de 2013 | 15h42

SERRA TALHADA, Pernambuco - Antecipando uma disputa ainda inexistente, cabos eleitorais carregavam faixas no entorno do Parque de Exposições de Serra Talhada, no sertão de Pernambuco, com agradecimentos à presidente Dilma Rousseff (PT) ou ao governador do Estado, Eduardo Campos (PSB). Os cartazes que elogiavam Dilma sequer citavam o nome de Campos, e aqueles que exibiam o governador escondiam a presidente.

Com as movimentações feitas por Eduardo Campos pelo Brasil para fortalecer uma possível candidatura de oposição à reeleição de Dilma, em 2014, a visita da presidente a Pernambuco, nesta segunda-feira, 25, se tornou símbolo de uma pré-campanha. O grupo pró-Campos ficou do lado de fora, enquanto os apoiadores de Dilma se aglomeraram sob uma lona diante do palanque em que as autoridades discursaram.

Duas horas antes da chegada de Dilma a Serra Talhada, cabos eleitorais do deputado estadual Sebastião Oliveira (PR) desenrolaram faixas que agradeciam ao parlamentar, a Eduardo Campos e ao deputado federal Inocêncio Oliveira (PR) por projetos desenvolvidos no município, como as obras na rodovia PE-418 e a criação de uma faculdade de Medicina. Sem se identificar, eles contaram que um assessor do deputado estadual prometeu um "cachê" pela exibição dos cartazes.

O ajudante de pedreiro Francisco Alves Souza, que carregava uma das faixas, nem reparou que o cartaz não citava o nome de Dilma. "Gosto de Eduardo, mas também gosto de Lula", disse.

A imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na região ainda mais forte que a figura de Dilma, segundo os eleitores que acompanhavam o evento.

"Prefiro Eduardo, porque ele fez muito pela região. Lula fez muito pelo Nordeste, mas a Dilma não é igual", disse a dona de casa Letícia Pereira de Lima. "Eduardo pode fazer coisas mais parecidas com Lula. Melhor que ele, só o Miguel Arraes", completou em referência ao avô de Campos.

"Lula era bom demais, e agora Dilma faz através dele", afirmou o agricultor Paulo Alves de Medeiros.

Dentro do parque de exposições, ficavam penduradas faixas bancadas pelo prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque (PT), que agradeciam apenas a Dilma pelos avanços no município e no País. Os cartazes citavam a redução das tarifas de energia elétrica e obras nas estradas federais. Não havia menções a parcerias entre o governo federal e a gestão Eduardo Campos.

"Que Eduardo, o quê! Vim ver Dilma, que é uma mulher muito trabalhadora. Eduardo sabe o que a gente precisa, mas não executa", disse o aposentado Luiz Alves da Silva.

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