DIDA SAMPAIO | ESTADAO CONTEUDO
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Citados na Lava Jato, presidente e vice do TCU são reeleitos

Ministros decidem, por unanimidade, manter nos cargos Aroldo Cedraz e Raimundo Carreiro por mais um ano

Luísa Martins e Fábio Fabrini / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 07h51

Apesar de estar na mira de uma sindicância interna e de ser citado nas investigações da Operação Lava Jato, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, foi reeleito por unanimidade ontem em votação dos ministros. O vice-presidente, Raimundo Carreiro – suspeito de irregularidades relacionadas à autorização da obra bilionária de Angra 3, da qual foi relator –, também teve o mandato renovado. Os dois ficam nos cargos por mais um ano.

O anúncio, revelado com mais de duas horas e meia de atraso, frustrou o Ministério Público de Contas (MPC) e auditores do TCU, que fizeram forte campanha nas redes sociais para que outro ministro assumisse a presidência, frente às denúncias que desgastam a corte. Dezenas de pessoas presentes à sessão viraram as costas para o plenário, em protesto. Às 17h, os ministros ainda estavam reunidos no gabinete do ministro Bruno Dantas, a portas fechadas, para chegar a um consenso sobre a eleição, o que é atípico para os padrões do tribunal.

Cedraz está no centro de um escândalo que envolve suposto tráfico de influência na corte exercido pelo filho, o advogado Tiago Cedraz. O caso é investigado perante o Supremo Tribunal Federal (STF), pois também há suspeitas contra Carreiro, que tem foro privilegiado. Os três negam irregularidades.

Credibilidade. Para técnicos do tribunal, envolvidos na campanha contra a reeleição, as denúncias contra Cedraz afetam a credibilidade da corte, que avalia processos da própria Lava Jato. Este ano, o TCU julgou irregularidades em vários negócios da Petrobrás, como a compra da Refinaria de Pasadena. Também coube ao órgão reprovar as contas da presidente Dilma Rousseff com base nas pedaladas fiscais, que embasam pedidos de impeachment da presidente.

Apesar da reeleição, Cedraz perderá força no seu segundo mandato. O TCU aprovou norma determinando que a nomeação dos chefes das áreas de fiscalização, antes atribuição exclusiva do presidente, tenha de passar pelo crivo do plenário, que também tem poder para exonerações. A medida é uma resposta a denúncias de que Tiago Cedraz estaria indicando secretários para as áreas mais importantes. Ele nega.

O órgão também anunciou a criação de uma secretaria extraordinária em que de 30 a 50 técnicos irão auditar os contratos investigados pela Lava Jato, sob supervisão do MPC e do juiz Sérgio Moro.

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