Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Citado por Costa, ministro de Minas e Energia entra em férias

Lobão havia planejado descanso entre 1º e 5 de setembro, mas datas foram alteradas no dia 2 e ele fica fora nesta semana

Anne Warth, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2014 | 21h53

BRASÍLIA - Mencionado na delação premiada feita pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa como um dos supostos beneficiários do esquema de desvios de recursos e lavagem de dinheiro investigado pela PF na operação Lava Jato, o ministro de Minas e Energia, Edison lobão, entrou em férias desde segunda-feira, 8, e permanecerá fora do trabalho até sexta-feira, 12. Em seu lugar, atuará como ministro interino o secretário-executivo da pasta, Márcio Zimmermann. 


A autorização para as férias do ministro foi publicada na edição de 1.º de setembro do Diário Oficial da União, via despacho da presidente Dilma Rousseff. A publicação previa folga entre os dias 1.º e 5 de setembro. Na edição de 2 de setembro, houve uma retificação sobre as férias do ministro para esta semana, entre os dias 8 e 12 de setembro. 

Citado no depoimento, Lobão passou o fim de semana no Maranhão e voltou segunda-feira à noite a Brasília. Nesta terça-feira, 9, ele permanecia na capital federal, mas seu destino até o fim desta semana não foi informado. Ele ainda não se pronunciou sobre o assunto. Não é a primeira vez que Lobão entra em férias neste ano. O ministro também gozou do direito entre os dias 28 de julho e 1.º de agosto. 

Ao participar da série Entrevistas Estadão, na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff disse que Lobão negou participação no caso. “Ele deu explicações para mim e por escrito. Ele nega veementemente tais fatos. (...) Quem faz a delação pode não gostar de uma pessoa e acusá-la ou estar protegendo alguém. Já que foi divulgado (o conteúdo do depoimento pelo portal do Estado e pela revista Veja), tenho obrigação de querer saber.”

Demissão. A presidente garantiu também que qualquer funcionário público envolvido em malfeitos será demitido. “As providências serão proporcionais ao comprometimento da pessoa. Se a pessoa estiver comprometida, é afastamento puro e simples.” Dilma explicou que fez um ofício pedindo à Política Federal e ao Ministério Público acesso às informações da investigação para tomar as providências cabíveis e se certificar de que elas serão tomadas com base em informações oficiais - e não por meio da imprensa. A presidente negou o afastamento de Lobão do cargo sem “saber primeiro se isso é verdade”. 

“A revista (Veja) não diz de onde tirou informações, nem como tirou”, afirmou. “Tenho que acatar informações oficiais, da Polícia Federal, do Ministério Público. Se eles não forem capazes de me responder, vou pedir ao Supremo Tribunal Federal que me informe.”

Dilma classificou como “inadmissível” um órgão da imprensa saber algo e o governo, não. “Não quero no meu governo quem esteja comprometido com qualquer malfeito. Mas também não quero dar à imprensa um poder que ela não tem. Não só o governo federal tem direito, mas a população tem direito”, disse Dilma. 

Delação. No depoimento, Paulo Roberto Costa citou pelo menos 32 deputados e senadores, governadores de cinco partidos políticos, incluindo PT e PMDB, os dois maiores do Congresso, também como supostos beneficiários de um esquema de propinas na estatal. E afirmou que as maiores empreiteiras do País - das quais revelou os nomes, inclusive de diretores - formaram um cartel dentro da Petrobrás. 

Costa também contou que os políticos e as agremiações recebiam o equivalente a 3% de comissão sobre o valor de cada contrato firmado durante sua passagem pela estatal (de 2004 a 2012), conforme antecipou o portal estadao.com.br. 

Nos depoimentos que têm prestado desde sexta-feira da semana passada como parte da tentativa de um acordo de delação premiada, Costa disse que teve pagamento de propina na operação de compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. 

O negócio passou a ser investigado por duas CPIs no Congresso após o Estado revelar em março que a presidente Dilma votou a favor da compra da refinaria quando presidente do conselho de administração. O aval do colegiado garantiu a realização do negócio, que, de acordo com o Tribunal de Contas da União, causou um prejuízo de US$ 792 milhões à estatal. 

Tudo o que sabemos sobre:
PetrobrásPaulo Roberto Costa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.