Citado na Lava Jato e sob pressão, presidente da Transpetro pede licença

Afilhado político de Renan Calheiros, Sergio Machado vai ficar afastado do cargo por pelo menos 31 dias; dirigente da subsidiária da Petrobrás foi mencionado como participante de esquema de corrupção na estatal; ele se diz vítima de acusação ‘leviana

Antonio Pita, Fernanda Nunes, Mônica Ciarelli, Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2014 | 19h01

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Atualizado às 22h26 - Rio - Citado na Operação Lava Jato, o presidente da Transpetro, Sergio Machado, pediu licença do cargo nesta segunda-feira, 3. Afilhado político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Machado estava à frente da subsidiária de logística da Petrobrás há 11 anos e sofria forte pressão para deixar a estatal. A saída do presidente da Transpetro foi uma das condições impostas pela PriceWaterhouseCoopers para auditar o balanço da Petrobrás, conforme antecipou o Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado

No início de outubro, em depoimento à Justiça Federal, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, réu na Lava Jato, disse que recebeu R$ 500 mil em dinheiro das mãos de Machado, como parte de um esquema de pagamento de propina envolvendo contratos da estatal. Costa afirmou que recebeu o dinheiro no apartamento do agora presidente licenciado da Transpetro, em 2009 ou 2010.

Dias antes, o Ministério Público Federal havia solicitado à Justiça, em ação de improbidade administrativa, o afastamento de Machado e o bloqueio de seus bens. Ele foi acusado de participar de um esquema para fraudar o processo de licitação para compra de 80 barcaças e 20 empurradores do Estaleiro Rio Tietê - um contrato no valor de US$ 239,16 milhões. 

Machado pediu afastamento do cargo por 31 dias, mas o prazo poderá ser prorrogado, pois a empresa de auditoria condicionou a continuidade dos trabalhos ao seu afastamento. 

A saída do presidente da Transpetro, segundo fontes, foi negociada entre o PMDB e o PT em razão da proximidade entre Machado e João Vaccari Neto, tesoureiro petista. Vaccari é apontado em depoimentos de Costa como captador de recursos ilícitos para o partido a partir de contratos firmados pela Diretoria de Serviços da estatal, então comandada por Renato Duque. Por causa das denúncias, Vaccari já se afastou do Conselho de Administração da Itaipu Binacional. Machado era o único dirigente de estatal federal citado na Lava Jato que ainda permanecia no cargo. Ele, Vaccari e Duque negam qualquer irregularidade.

Campanha. Durante a campanha à reeleição, Dilma quis demitir o presidente da Transpetro após ver seu nome associado a denúncias de corrupção na Petrobrás, mas o PMDB conseguiu brecar sua exoneração. A direção peemedebista - tendo Renan Calheiros à frente - cobrou do governo “tratamento isonômico” com o PT. “Como a presidente poderia demitir Machado se não estava afastando Vaccari Neto de Itaipu?”, indagaram peemedebistas. Dilma recuou para evitar desgastes com o PMDB durante a disputa presidencial.

Na semana passada, além da exigência da Price - que condicionou investigações nas operações da Transpetro ao trabalho de validar os números do terceiro trimestre da Petrobrás, que devem ser divulgados até o dia 14 deste mês -, a presidente da petroleira, Graça Foster, tentou convencer Machado a deixar a empresa, o que foi recusado por ele. O dirigente acabou sendo obrigado a mudar de ideia depois da rebelião de conselheiros da empresa, inclusive alguns nomeados pelo governo, que avisaram que iriam exigir a sua demissão. 

O argumento usado foi o risco de a auditora fazer sérias ressalvas no balanço financeiro da empresa, o que poderia prejudicar ainda mais a imagem da estatal e repercutir na perda do seu grau de investimento. Sem a chancela das empresas de classificação de risco de que possui grau de investimento, a Petrobrás passaria a pagar mais caro por financiamentos, indispensáveis para que cumpra o seu plano de investimento. 

‘Leviana’. Machado será substituído pelo atual diretor de Gás Natural, Cláudio Ribeiro Teixeira Campos. Em comunicado oficial, ele disse que seu gesto foi “espontâneo”, para evitar atraso na divulgação do balanço financeiro da petroleira. O presidente da Transpetro se disse “vítima” de calúnias que ainda não foram “objeto sequer de apuração pelos órgãos públicos competentes”. “A acusação é francamente leviana e absurda, mas mesmo assim serviu para que a auditoria externa PwC apresentasse questionamento perante o Comitê de Auditoria do Conselho de Administração da Petrobrás”, afirmou o executivo. 

Machado foi nomeado para a Transpetro em 2003, no início do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto esteve à frente da estatal, foi responsável por grandes projetos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, que tinham, principalmente, o objetivo de reativar a indústria naval brasileira.

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