Reprodução
Reprodução

Citado na delação de dono da UTC, filho do presidente do TCU é alvo de operação

Após ser acusado por Pessoa de receber dinheiro para repassar informações à empreiteira, Tiago Cedraz teve dois imóveis revistados durante a operação Politéia, nova fase da Lava Jato

Fábio Fabrini, Fausto Macedo, Beatriz Bulla e Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2015 | 11h39

BRASÍLIA E SÃO PAULO - A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz. Conforme apurou o Broadcast, os agentes estiveram na casa do advogado e em seu escritório. o escritório que ele mantém numa mansão do Lago Sul, área nobre de Brasília. Segundo fontes da PF, embora não tenha foro privilegiado, Cedraz é alvo de investigação no Supremo porque o caso envolve suspeitas sobre ministros do Tribunal que o pai preside.

Tiago foi citado em depoimentos do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia e um dos delatores da Operação Lava Jato. Segundo ele, o filho do presidente do TCU recebia R$ 50 mil mensais para repassar à empreiteira informações de seu interesse na corte de contas. Por um processo que discutia obra bilionária para a montagem da usina de Angra 3, ele teria recebido R$ 1 milhão. Em nota, o escritório de Cedraz informa que nunca patrocinou nenhum caso do Grupo UTC perante o Tribunal de Contas da União (veja íntegra do comunicado abaixo).

O tribunal avaliou irregularidades no orçamento e na licitação da obra. Ao fim, após o cumprimento de recomendações, liberou o empreendimento. Consórcio integrado pela UTC assinou contrato para tocar os serviços de montagem em 2014. O advogado nega ter atuado no TCU para a empreiteira. Procurado nesta terça-feira, o advogado não atendeu. 

Nota da Cedraz Advogados.

O escritório Cedraz Advogados considera uma violência sem precedentes, um atentado ao regular exercício da profissão, medidas adotadas autorizadas com base em uma delação premiada negociada por um réu confesso que mente a fim de se beneficiar.

Desde as primeiras notícias publicadas na imprensa, o escritório se colocou à disposição das autoridades para repassar informações necessárias à correta compreensão dos fatos. Com reiteradas solicitações. Mas sequer teve uma reposta das autoridades.

Mais uma vez reforça que nunca patrocinou nenhum caso do Grupo UTC perante o Tribunal de Contas da União. E repudia veementemente toda e qualquer adulteração de fatos lícitos para ensejar um enquadramento dos fatos em uma delação forjada.

Por fim, comunica que informou a OAB do Distrito Federal e ao Conselho Federal da OAB a cerca das extrapolações no cumprimento do mandado.


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.