Citado em lista de Janot, Cunha ataca governo Dilma

Citado em lista de Janot, Cunha ataca governo Dilma

Em entrevista, presidente da Câmara volta a negar envolvimento com esquema na Petrobrás, vê danos ao País com escândalo e critica articulação política do Planalto

Elizabeth Lopes , O Estado de S. Paulo

09 de março de 2015 | 07h45

São Paulo - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos 34 parlamentares alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de participar no esquema de desvios da Petrobrás, classificou o caso como o "maior escândalo de corrupção do mundo". Em entrevista ao programa Canal Livre da TV Bandeirantes, exibido na madrugada desta segunda-feira, 9, o parlamentar voltou a dizer que está tranquilo e que o processo não vai prejudicar a condução da Câmara.

Ao falar da inclusão de seu nome na lista enviada na sexta-feira, 6, pelo procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo, o peemedebista repetiu que recebeu com tranquilidade a informação porque não deve nada e ninguém está imune às investigações. Mas, voltou a criticar a forma como Janot conduziu este processo, não descartando motivação política. Além de Cunha, outras 49 pessoas serão investigadas, entre elas 21 deputados, 12 senadores e um vice-governador.

Mesmo com as críticas, disse que não teme as investigações, "porque quem não deve, não teme". E descartou que este processo poderá contaminar a condução da presidência da Câmara dos Deputados. Para Cunha, se ficar comprovada a motivação política, "não vai deixar pedra sobre pedra."

O peemedebista disse que achou estranho o fato de a lista de Janot não contemplar mais nomes ligados ao PT, uma vez que o ex-gerente de engenharia da Petrobrás Pedro Barusco revelou, em depoimento concedido no acordo de delação premiada, que o PT teria recebido até R$ 200 milhões de propina do esquema da estatal.

Na avaliação de Cunha disse que o escândalo que atinge a Petrobrás trará efeitos negativos na política interna e externa do País e pode, inclusive, fazer o Brasil perder o grau de investimento. "Se o País perder o grau de investimento, os US$ 370 milhões que possui em divisa podem se evaporar em pouco tempo", alertou. Para o presidente da Câmara, é muito grave o que está acontecendo com o País, na esteira do escândalo que envolve a estatal do petróleo. E destaca que esse escândalo já deve ter provocado uma retração de cerca de 1% no PIB brasileiro.

Ajuste fiscal. Na entrevista, Cunha falou que apoia o pacote de ajuste fiscal do governo da presidente Dilma Rousseff e que fará tudo para que ele seja aprovado. Contudo, ponderou que o governo não está conseguindo mostrar à população que ela terá de fazer um sacrifício no momento para encontrar uma saída depois.

"Não dá para fazer todo dia o mal. O governo deveria ter falado previamente com sua base e soltado tudo de uma vez", disse, destacando que todo dia tem uma notícia ruim. "O clima está ruim pela falta de comunicação (por parte do governo)."

Ele disse que o governo Dilma tem um problema político e tem de apaziguar a sua base. "E depois vai ter que encontrar um caminho para mostrar às pessoas que o ajuste é necessário." Cunha reclamou que o parlamento não é chamado a participar das discussões de medida de impacto, como o pacote fiscal. E criticou, principalmente, um dos articuladores do Planalto, o ministro Pepe Vargas.

Na sua avaliação, a presidente Dilma não aproveita o fato de que tem como seu vice-presidente um dos maiores articuladores políticos do País, Michel Temer. "É uma falta de inteligência não utilizar um quadro como o vice Michel Temer", disse, emendando que não compete com ele e que o PMDB se une nas dificuldades. "Aliás, o Michel se tornou persona non grata no Palácio quando passou a apoiar a minha candidatura (à presidência da Câmara)", disse.

Impeachment. O presidente da Câmara rechaçou a hipótese de colocar em tramitação neste momento um eventual pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Sou contra o impeachment e não colocarei para tramitar", garantiu.

Na sua avaliação, impeachment não é a palavra de ordem do momento. "O que está ocorrendo é que Dilma está tendo perda de apoio político e da população." E voltou a dizer que a gestão de Dilma enfrenta um grave problema de articulação política. "É preciso mudar a forma de fazer essa articulação."

Cid Gomes. Eduardo Cunha disse ainda que o ministro da Educação, Cid Gomes (Pros), foi convocado pela Câmara, na quarta-feira, 11, para explicar por que chamou, em uma palestra para universitários, os parlamentares de achacadores. "Um País que se autointitula pátria educadora, não pode ter um ministro da Educação mal educado", disse. Cunha afirmou que tirou de pauta o projeto de criação do Instituto de Ensino Superior, ironizando que os "achacadores" não poderiam colocar em pauta um projeto do Ministério da Educação.

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