Citado em inquérito da PF, vice de Skaf renuncia

Alegando "razões estritamente pessoais", o empresário Fernando Arruda Botelho renunciou à vice-presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A decisão foi informada por carta a Paulo Skaf, presidente da entidade, no início de agosto. Botelho disse que sua saída tem caráter irrevogável. Skaf concordou.

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2009 | 00h00

O empresário é um dos sócios da empreiteira Camargo Corrêa, alvo principal da Operação Castelo de Areia - investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e doações eleitorais "por fora".

Amigos e profissionais próximos a Botelho avaliam que seu gesto visa a poupar Skaf. A PF não vê ligação do presidente da Fiesp com a Castelo de Areia, mas aliados dele avaliam que sua proximidade com Botelho poderia criar entraves a seus projetos pessoais e políticos.

Casado com uma das filhas de Sebastião Camargo, fundador da construtora, Botelho é citado em passagens do inquérito relacionadas a repasses de valores a políticos que não teriam sido contabilizados. O empresário não é réu na ação penal aberta pela 6ª Vara Criminal Federal contra quatro executivos da Camargo Corrêa - Pietro Bianchi, Fernando Dias Gomes, Dácio Brunato e Raggi Badra -, mas interceptação telefônica autorizada judicialmente revela seu empenho na transferência de dinheiro para partidos.

A apuração federal, aberta em janeiro de 2008 a partir de vigilância a um doleiro, aponta movimentos de Botelho. A Castelo de Areia foi deflagrada em 25 de março. No cofre dele, na sede da empreiteira, os agentes federais apreenderam armas.

Ao ordenar a operação, o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, assinalou trechos de grampos que fazem "menção a divisão de valores, em tese, doados para partidos políticos". A investigação da PF sugere que Botelho teria participado da distribuição de doações da empreiteira a partidos. Numa conversa telefônica captada pelos agentes, Botelho teria conversado sobre atrasos na liberação de recursos.

No exercício da vice-presidência da Fiesp, Botelho executou papel considerado importante na área da aviação e da indústria da defesa. Sua renúncia foi encarada por amigos de Skaf como "ato de dignidade e respeito ao presidente da Fiesp".

"Ele renunciou por motivos particulares", afirma o criminalista Márcio Thomaz Bastos, defensor da Camargo Corrêa. "Já pretendia sair porque já havia prestado sua colaboração. Na carta, expôs motivos particulares. Não tem nada a ver com essas coisas que aconteceram."

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