Citação ao nome de Dilma no bolo da Lava Jato desagradou a presidente

Citação ao nome de Dilma no bolo da Lava Jato desagradou a presidente

Interlocutores da presidente afirmaram que não viam motivo para que seu nome pudesse ter sido citado neste episódio; acreditam, no entanto que, ao fazer isso 'Janot joga para a plateia'

TÂNIA MONTEIRO E RAFAEL MORAES MOURA, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2015 | 22h21

Brasília - A menção do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao nome da presidente Dilma Rousseff na Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobrás, foi recebida com muita surpresa e desagrado pelo Palácio do Planalto. Interlocutores de Dilma afirmaram que não viam motivo para que seu nome pudesse ter sido citado neste episódio. Para eles, "Janot joga para a plateia" ao agir assim e acaba por fazer "média" com os que têm críticas ao governo.

Dilma repudia o fato de quererem envolver seu nome, de alguma forma, na Operação Lava Jato. Oficialmente, a presidente e o Palácio do Planalto não quiseram fazer nenhum comentário sobre a lista de Janot.

A presidente quer reunir alguns ministros, neste domingo, no Palácio da Alvorada, para avaliar a repercussão da lista de Janot, os estragos que isso vai causar no Congresso e como ela poderá trilhar caminhos para recompor sua base aliada. Nesta reunião de domingo, o vice-presidente Michel Temer não estará presente.Temer e Dilma, porém, vão se reunir na manhã de segunda-feira, dia 9, no Palácio do Planalto. A partir da próxima semana, ele começará a participar dos encontros da coordenação política de governo. No final da tarde de segunda, às 17h30, a presidente também receberá os líderes dos partidos da base aliada no Senado.
Um assessor palaciano disse ao Estado que, em relação aos nomes citados na lista, "não havia nada de excepcional" porque todos já haviam sido divulgados pela imprensa. É provável que o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), cujo nome não consta do pedido de investigação enviado ao Supremo Tribunal Federal, ocupe agora o Ministério do Turismo. Seria uma forma de Dilma agradar a Temer e ao próprio Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara.

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