Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Citação a Dilma na Lava Jato surpreende Planalto

Procurador-geral informou o Supremo que não caberia investigação sobre a presidente com base em artigo da Constituição

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

05 de março de 2015 | 13h40

Atualizado às 18h23 para correção de informação

Brasília - O Palácio do Planalto foi surpreendido pela informação de que o nome da presidente Dilma Rousseff havia sido citado em despacho do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal. Janot informou a Corte que a petista foi citada em depoimentos de delação premiada, mas que não caberia pedido de investigação. O procurador-geral baseou sua decisão em artigo da Constituição Federal, segundo o qual a presidente só pode ser alvo de processo por crime de responsabilidade em atos ocorridos no exercício do mandato.

Interlocutores da presidente afirmam que "jamais alguém pensou que isso pudesse ocorrer". Para um dos assessores do Palácio do Planalto, "não havia a menor base" para qualquer tipo de investigação sobre Dilma relacionada à Lava Jato.

Dilma passou a manhã desta quinta-feira, 5, no Palácio da Alvorada, gravando pronunciamento que será exibido no domingo, em comemoração ao Dia da Mulher, como antecipou o Estado, para sair em defesa do governo. Dilma está enfrentando graves problemas políticos e econômicos e tenta reverter a maré de más notícias que atingiram inclusive a sua popularidade. Por conta disso, reiniciou suas viagens pelo país. Amanhã, Dilma estará em Araguari (MG), onde anunciará a entrega de mais casas do programa Minha Casa  Minha Vida.

Em meio ao turbilhão político, dirigentes da agência Standard & Poor's serão recebidos nesta tarde pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Mais cedo, o ministro esteve com os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, na reunião da Junta Orçamentária. Mas, depois, trataram do encontro que Levy terá daqui a pouco com a agência e Mercadante, às 16h30. O governo está trabalhando para tentar evitar que as demais agências de classificação de risco sigam o exemplo da Moody's, que rebaixou em dois graus o rating da Petrobrás, levando a estatal a perder seu grau de investimento. A preocupação maior é com o risco de que o rebaixamento da nota da Petrobrás possa contrbuir para que se retire o grau de investimento dos títulos brasileiros.

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