Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Citação a Bolsonaro pelo porteiro do condomínio deixa questões não respondidas; confira

Publicação de depoimentos de funcionário desencadearam série de declarações sobre inquérito da morte de Marielle Franco

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 08h00

A publicação do conteúdo de dois depoimentos à Polícia Civil de um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, deram início a uma sequência de declarações de autoridades sobre as investigações da morte da vereadora Marielle Franco. Após dizer que um dos acusados do assassinato teria entrado no condomínio com autorização de uma pessoa que atendeu o interfone na casa do presidente, o porteiro foi desmentido nesta quarta-feira, 30, pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. 

Segundo a promotora Simone Sibilio, a testemunha teria dado informação falsa ao vincular Bolsonaro com Elcio Queiroz, acusado de dirigir o o carro de onde partiram os tiros que mataram Marielle e o motorista Anderson Gomes. Elcio encontrou Ronnie Lessa, acusado de ter feito os disparos, na casa do atirador. Ronnie morava no Vivendas da Barra, assim como o presidente e seu filho Carlos Bolsonaro

O porteiro sustenta que, ao interfonar para a casa, recebeu do “seu Jair” permissão para a entrada do carro no local. O veículo, porém, se dirigiu à casa 65, onde morava Ronnie Lessa  – também preso, sob a acusação de ter feito os disparos contra a vereadora e o motorista. Ele registrou que a ligação teria sido feita à casa 58, de Bolsonaro.

Carlos, que é vereador no Rio, usou as redes sociais para exibir um vídeo com imagens de computador contendo supostos arquivos de áudio das conversas entre a portaria e as casas do condomínio no Rio. Um dos registros mostra que às 17h13 o homem identificado como Elcio pede para ir à casa 65, de Lessa. A voz do homem que atendeu o interfone foi identificada pelos peritos como sendo a de Lessa, a partir de uma comparação com registros feitos em depoimentos à Polícia Civil do Rio. 

Em uma viagem oficial à Arábia Saudita, Bolsonaro fez uma transmissão em vídeo na qual, exaltado, atribuiu o vazamento ao governador do Rio, Wilson Witzel, e rebateu qualquer insinuação de envolvimento. No dia do assassinato, Bolsonaro estava em Brasília,  como registram atas de presença da Câmara dos Deputados. 

O depoimento do porteiro, que deve ser investigado por “tentativa de envolvimento indevido”, levantou algumas questões ainda não esclarecidas. Confira:

Registro

Por que o porteiro registrou, no livro de ocorrências da portaria, anotações que poderiam ser facilmente desmentidas pela checagem das conversas gravadas com as casas do condomínio?

Contato

Por que o porteiro afirmou ter feito dois contatos com Bolsonaro em casa, quando o hoje presidente, na época deputado federal, estava em Brasília na hora informada?

Desmentido

Se Bolsonaro sabia da versão do porteiro desde 9 de outubro, quando diz ter sido informado pelo governador Wilson Witzel (PSC), por que não a desmentiu antes?

Checagem

Por que o Ministério Público do Rio fez uma consulta ao Supremo antes de ter checado as informações do porteiro?

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