Cisão tucana extrapola São Paulo e já desafia Guerra

Presidente do PSDB caminha para reeleição em chapa única, mas crises regionais em São Paulo, Paraíba e Paraná contrariam ideia de unidade

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O ex-governador José Serra até se insinuou, mas a três semanas da convenção nacional do PSDB nenhum tucano se apresentou para disputar a presidência do partido com o deputado federal Sérgio Guerra (PE), que caminha para reeleição em chapa única no dia 28 de maio.

 

Nem assim o tucanato vai se livrar de velhas disputas internas nem colocará um ponto final em problemas e litígios que se espalham por vários Estados, como São Paulo, Paraná e Paraíba. Além da briga permanente entre Minas Gerais e São Paulo pela vaga de candidato do partido à Presidência da República, em que se confrontam Serra e o senador mineiro Aécio Neves, há a disputa de poder entre o próprio Serra e o governador tucano Geraldo Alckmin. E isso vai se arrastar independentemente do talento de Guerra para negociar a partilha de poder na nova direção.

 

O desafio maior do tucanato hoje é acomodar Serra na estrutura partidária, sem colocá-lo em posição de comando que reforce um projeto presidencial nem tampouco deixá-lo sem poder a ponto de produzir outra crise, sugerindo a aposentadoria do líder que saiu da eleição presidencial de 2010 com um capital de quase 44 milhões de votos.

 

Mas, ainda que a tarefa seja cumprida, restarão os litígios nos Estados, agora agravados pelo clima de insegurança que o novo PSD semeou Brasil afora. No Paraná, por exemplo, Sérgio Guerra e o governador Beto Richa (PSDB) tiveram trabalho para segurar o deputado federal Fernando Franceschini, que fez seguidas ameaças de aderir ao novo partido nos últimos dias.

 

E os problemas não param aí. Richa também está desafiado a cumprir o compromisso com seu antigo vice-prefeito que assumiu a administração de Curitiba, Luciano Ducci, do PSB, e ao mesmo tempo segurar no PSDB o ex-deputado Gustavo Fruet. É que Ducci apoiou a eleição de Richa e agora conta com o aliado para se reeleger. Fruet por sua vez, avisou a vários interlocutores que não abre mão de disputar a prefeitura e lidera as pesquisas de intenção de voto.

 

Na Paraíba, a briga é entre o senador Cícero Lucena e o ex-governador Cássio Cunha Lima, que deve assumir uma vaga no Senado semana que vem. Cícero até hoje não se conforma por ter sido forçado a engolir uma aliança com o PSB do governador eleito Ricardo Coutinho, a quem se refere como inimigo pessoal. Como o vice-governador tucano Romulo Gouveia foi fisgado pelo no PSD, ele tenta aproveitar a deserção para romper a aliança que Cunha Lima sustenta. Reeleito presidente, Guerra terá que cuidar desses conflitos.

 

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