Cirurgião diz que morte em plástica foi "fatalidade"

Uma fatalidade. Essa foi a explicação que o cirurgião plástico goiano Marcelo Caron deu em depoimento à 12ª Delegacia de Polícia (DP) sobre a morte da secretária Adcélia Martins, após uma lipoaspiração. O médico também tentou responsabilizar um cardiologista, que, na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), teria comandado as medidas de emergência para salvar a paciente, entre elas uma incisão na altura do ombro esquerdo para introduzir um cateter para estimular o músculo cardíaco. O delegado Alberto Vieira Bastos indiciou o médico por crime culposo. E, por enquanto, Caron permanecerá em liberdade. Confirmado o crime, ele poderá ser condenado de um a três anos de prisão. Bastos admite, no entanto, que poderá considerar o crime doloso se, durante as investigações, forem consideradas convincentes as 35 denúncias por imperícia encaminhadas ao Conselho Regional de Medicina de Goiás contra o médico. O promotor de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (Pró-Vida), Diaulas Ribeiro, quer que Marcelo Caron entregue a carteira de médico e seu passaporte para evitar eventual fuga. E também o promotor pretende responsabilizar os integrantes do Conselho Regional de Medicina de Goiás por desídia e negligência na apuração das acusações contra o médico. A primeira denúncia foi apresentada à entidade em janeiro do ano passado, mas não houve conclusão. Depois de operadas por Caron, três mulheres morreram em Goiás. A Adcélia é a quarta vítima. Graziela Murta Oliviera, que fez uma cirurgia para eliminar a celulite, está em estado grave na UTI do Hospital Santa Helena e corre risco de vida, segundo o promotor. Após prestar depoimento, o médico tentou evitar a imprensa saindo pelos fundos da delegacia no banco de trás de um carro da polícia. Inútil, pois os fotógrafos e cinegrafistas conseguiram fazer as imagens do médico, que escondeu o rosto.

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