Cirurgião de Goiânia entrega carteira de médico

O cirurgião plástico Marcelo Caron, acusado de provocar a morte de quatro pacientes após realização de lipoaspiração, entregou nesta segunda-feira sua carteira de médico na 3.ª Vara da Justiça Federal. No Sábado à noite, durante plantão, o juiz federal Osmane Antônio dos Santos suspendeu o registro de Caron até conclusão de todos os processos abertos contra ele, no Conselho Regional de Medicina de Goiás e o do Distrito Federal, além do Conselho Federal de Medicina.A medida cautelar foi pedida pelo promotor da Promotoria de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde do DF, Diaulas Costa Ribeiro, e os procuradores da República Alexandre Camanho e Humberto Jaques, depoisda morte de mais uma paciente de Caron. Os procuradores temiam que o médico voltasse a exercer a medicina ?colocando em risco outras pessoas em outras unidades da federação?.O CRM de Goiás investiga a responsabilidade do médico na morte de três pacientes de Goiânia. Chegaram ao conselho, ainda, outras 35 denúncias de lesões pós-operatórias contra Caron. Semana passada, a paciente Adcélia Martins de Souza não sobreviveu despois de cirurgia no Hospital Anchieta de Brasília. O caso foi denunciado à 12.ª Delegaciade Polícia e um inquérito já foi instalado por homicídio culposo.O médico garante ser inocente. ?Há equívoco na minha responsabilização pela morte da Adcélia?, afirmou Caron, garantindo ter ?plena convicção? de que a paciente morreu devido a lesão próxima à artéria aorta. Essa lesão teria sido provocada, na versão de Caron, por um dos médicos da emergência do Hospital Anchieta de Brasília que tentoureanimar Adcélia. ?Não fiz lipoaspiração no tórax (onde o Instituto Médico Legal identificou a lesão)?. Ele revela que seus advogados poderão pedir a exumação do cadáver para provar sua tese.Caron também considera ?casos de fatalidade? as mortes das três pacientes em Goiânia. Apesar da alegada inocência, ele pretende abandonar a medicina. ?Deve ser um sinal para eu mudar de profissão?, desabafou o médico que estava operando em Brasília mesmo sem ter registro do CRM local. Ele havia feito um acordo com o Ministério Público de Goiás para deixar de trabalhar enquanto durassem os processos contra ele. Mas diz que como já vinha pagando indenizações ? segundo ele, ?até indevidas?? considerava ter terminado a negociação com o Ministério Público. E para honrar os compromissos voltou a operar. Diz ter optado por Brasília por insistência de pacientes, como Adcélia, que conheciam o seu trabalho. ?Eu queria operá-la somente em março.?

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