Ciro terá empenho 'muito discreto' na campanha de Dilma

Após ser praticamente descartado pelo PSB, deputado diz que não se engajará na campanha do PT

EUGÊNIA LOPES, Agência Estado

24 de abril de 2010 | 14h08

Prestes a ver o PSB negar-lhe a legenda para disputar a Presidência da República, o deputado Ciro Gomes (CE) sinalizou que não vai trabalhar ostensivamente pela candidatura da petista Dilma Roussef à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ciro avisou a correligionários que pretende seguir a orientação do PSB que, daqui a dois dias, deverá formalizar o apoio a Dilma. Mas deixou claro que o seu empenho na campanha da petista será "muito discreto".

A amigos, Ciro confidenciou que pretende viajar para o exterior, assim que passar o turbilhão que envolve sua pré-candidatura à Presidência da República. Ele garantiu que não será candidato nas eleições de outubro deste ano. Disse que vai se "aquietar" e sair da política "por pelo menos um longo tempo". "Vou escrever, vou ler, olhar para os meus filhos e minha mulher", resumiu Ciro.

Mas ao mesmo tempo em que faz "corpo mole" pela eleição de Dilma, o deputado deixou claro que vai se dedicar de corpo e alma em pelo menos três campanhas eleitorais. Ele prometeu trabalhar com afinco na reeleição de seu irmão Cid Gomes (PSB) ao governo do Ceará, na eleição da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), sua ex-mulher, para a Câmara, e na reeleição de seu padrinho político, o senador tucano Tasso Jereissati (CE).

O comportamento de Ciro no Ceará passou a ser uma das preocupações da campanha de Dilma Rousseff. Há um especial receio do Palácio Planalto em relação ao Estado, local onde o deputado lidera com folga as pesquisas de intenção de voto da corrida presidencial. Os petistas temem que, em represália à saída de Ciro da disputa pela Presidência da República, parte expressiva dos cerca de cinco milhões de votos do eleitorado cearense acabe indo para o tucano Serra.

Apesar de Ciro Gomes ter mandado recados para o Planalto de que não pretende disparar mais sua metralhadora giratória contra Lula e a petista Dilma, o Planalto mantém-se preocupado com os próximos passos do deputado. Afinal, o socialista já preveniu os aliados que vai "espernear" até depois terça-feira, quando o PSB reúne sua Executiva para abortar de vez a candidatura de Ciro.

Por isso, a ordem no PSB e no comando da campanha de Dilma é não polemizar com Ciro Gomes. Ontem, o deputado chegou a dizer que o candidato tucano José Serra é "mais preparado, mais legítimo, mais capaz" para administrar o País em uma eventual crise cambial. Essa declaração desagradou imensamente o presidente Lula. Mas a estratégia do governo é não colocar "álcool na fogueira, deixando o processo arrefecer", conforme definiu um aliado.

A tática do governo é tentar reaproximar Lula e Ciro, assim que as feridas forem fechadas. Ciro Gomes está muito magoado com o presidente, a quem acusa ter trabalhado para inviabilizar sua candidatura à presidência junto ao PSB. A aliados, Lula confidenciou que está disposto a reatar as relações com o deputado, mas sabe que neste momento a reconciliação é inviável. O presidente sabe que dificilmente Ciro vai se empenhar na eleição de Dilma, mas quer garantir que o deputado não vai trabalhar contra a petista.    

 

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