Ciro sempre esteve muito perto do PSDB de Minas, diz Lacerda

Lacerda considera improvável que seus principais apoiadores deixem os atuais partidos para concorrer

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

31 de dezembro de 2008 | 19h31

O prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), sabe que nos próximos dois anos sua administração será uma espécie de vitrine da tese da convergência entre petistas e tucanos, representada pela aliança entre o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e o atual prefeito da capital, Fernando Pimentel (PT).  Lacerda considera, porém, improvável que seus principais apoiadores deixem os atuais partidos para concorrer, respectivamente, como candidatos à Presidência e ao governo estadual em 2010. Segundo ele, o PSB ainda não tem condições de antecipar o lançamento de uma candidatura própria ao Palácio do Planalto, mas o "amigo" e padrinho Ciro Gomes (PSB-CE) continua sendo um "grande quadro" e "uma boa alternativa" para encabeçar uma eventual aliança de centro-esquerda.  Estado - O senhor foi eleito por uma polêmica aliança entre o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT). Que papel político acha que terá à frente da prefeitura de Belo Horizonte no horizonte da eleição de 2010? Lacerda - Veja, eu não integro a Executiva (Nacional) do PSB e nem o diretório (estadual) ou municipal. Naturalmente, a gente troca idéias com as lideranças do partido. Mas o meu objetivo nesse momento, a minha tarefa é fazer uma boa gestão na prefeitura de Belo Horizonte. Qualquer que seja o resultado, bom ou ruim, isso terá reflexo na imagem do partido, na minha imagem e também na imagem dos meus apoiadores.  Estado - A gestão do sr. seria então uma vitrine da apregoada tese da convergência entre petistas e tucanos? Lacerda - De qualquer maneira, minha gestão poderá ser mais bem avaliada de uma forma mais completa após o primeiro, segundo ano. O fato é que seja no primeiro, no décimo ou no 24º mês eu tenho de estar fazendo um bom trabalho. Estado - O sr., apesar de estreante em um cargo eletivo, vai chefiar a principal prefeitura conquistada pelo PSB no País. O sr. defende que o partido tenha candidato próprio à Presidência? Lacerda - Eu não sei. Essa é uma decisão que o próprio partido, a própria direção hoje não tem condição de antecipar. Nem defender que sim ou não. Vai depender do cenário. Estado - Mas e o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), um nome sempre lembrado como presidenciável? Lacerda - Nós somos amigos, nos falamos. Mas eu não sei. Estado - Ele se aproximou ainda mais do governador Aécio nessa campanha? Lacerda - São amigos, se falam há muito tempo. Aliás, o Ciro sempre esteve muito próximo do PSDB de Minas Gerais. Ele não se dá bem com o PSDB paulista. Mas eu acho que ele é um grande quadro, se dá bem com a Dilma (Rousseff, ministra da Casa Civil), se dá bem com o Aécio, com o Pimentel. E ainda tem uma boa penetração no eleitorado. Sempre pode ser uma boa alternativa na construção de alguma aliança. Estado - Especula-se que os principais apoiadores do senhor, Aécio e o prefeito Pimentel, estariam sob assédio do PSB caso decidam deixar os atuais partidos para concorrer nas eleições de 2010. Lacerda - A única coisa que eu posso dizer é que eles afirmam que não vão sair dos respectivos partidos. Existe o desejo de outros partidos, mas de concreto tem a afirmação deles. Para mim é o que está valendo nesse momento. Estado - O sr. não vê essa possibilidade? Lacerda - Em política tudo é possível, mas considerando o perfil deles não me parece provável. Estado - A aliança em Belo Horizonte, apresentada como um projeto de centro-esquerda para o País, foi bastante bombardeada, principalmente pela direção nacional do PT. O sr. continua achando que esse é um caminho viável para a eleição de 2010? Lacerda - O próprio conceito de esquerda, direita hoje está um pouco desgastado. Até porque a direita no Brasil nunca se assume, talvez pelo desgaste que sofreu durante o regime militar, etc. Hoje o povo olha se o gestor está dando bons ou maus resultados, inclusive no aspecto da inclusão social, da redução das desigualdades, da geração de empregos. Isso ficou claramente demonstrado nas últimas eleições. O que se tem efetivamente é a necessidade de busca de alianças que permitam uma sustentação política para que o eleito faça uma boa gestão. E uma boa gestão significa não estar preso às armadilhas, às cadeias do fisiologismo, do empreguismo, das velhas práticas políticas. Isso é que é importante.

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