Ciro, se eleito, não manteria Fraga no BC

O presidenciável do PPS, Ciro Gomes, apesar de qualificar Armínio Fraga como "o salvador da pátria" da equipe econômica de FHC, caso vitorioso na sucessão presidencial de 2002 não manteria o atual presidente do Banco Central no cargo. Ele fez a declaração em entrevista ao programa ?Conversa Afiada?, da TV Cultura, quando voltou a bater duro no atual governo. "Ele (Fraga) salvou este governo de uma tragédia que seqüenciou aquela desastrada desvalorização do real, em 1999, depois que se enganou a sociedade com um verdadeiro Cruzado 2", afirmou.Modelo derrotadoPara Ciro Gomes, o presidente do BC é uma pessoa muito séria, mas tem dois problemas, um da ordem de mérito e outro de ordem objetiva. "De mérito, porque o Armínio acredita, embora tenha autonomia intelectual incrível para amanhã evoluir e mudar de opinião, como fazem os bons da ciência, os sábios, ele acredita ainda muito excessivamente neste modelo que está clara e intelectualmente derrotado, e que na prática está também derrotada esta modelagem neoliberal, esta inserção passiva na competição global, que é totalmente assimétrica. Ele ainda acredita nisso, e essa é a razão de mérito pela qual eu não poderia ficar com ele no governo que eu tivesse o privilégio de servir ao Brasil como presidente".Mudar tudoO outro motivo por que Ciro Gomes descartaria Armínio é de ordem objetiva, segundo explicou. "Ele é excessivamente comprometido, no simbólico, com esta quadra de poder, embora ele seja o lado bom. É o homem que está salvando o País do desastre. Como ele é o atual (presidente do BC), nós temos que mudar tudo.""O símbolo sou eu"Para Ciro, nem que a permanência de Armínio simbolizasse uma passagem tranqüila de poder, ele recorreria a seus préstimos. "Quem vai simbolizar sou eu, porque eu fui ministro da Fazenda, fui governador de Estado, fui prefeito da quinta maior cidade brasileira, fui deputado, acumulei experiência internacional, sou conhecido pela academia, pelo menos nos Estados Unidos, que freqüentei um ano e meio. Tenho interlocução com a diplomacia internacional, conheço muita gente nas agências internacionais. Se escolhido pela sociedade brasileira, sou eu que falo pela sociedade brasileira."

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