Ciro quer 'reaparecer', reagem aliados de Dilma

Ex-ministro afirmou nesta terça-feira, 23, que a aliança política de sustentação do governo está assentada na "putaria", na "fisiologia", na "roubalheira" e no "clientelismo"

Ricardo Brito e Débora Álvares - O Estado de S. Paulo,

24 de julho de 2013 | 19h07

Brasília, 24/07/2013 - Aliados da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional reagiram nesta quarta-feira às declarações do ex-ministro Ciro Gomes (PSB) que, em entrevista ontem a uma rádio de Fortaleza, afirmou que a aliança política de sustentação do governo está assentada na "putaria", na "fisiologia", na "roubalheira" e no "clientelismo". Eles atribuíram a postura "agressiva" do socialista a uma estratégia para voltar à cena pública após amargar um período de ostracismo.

"O Ciro expressou a opinião dele, como uma pessoa transparente que é", afirmou, lacônico, o líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF). Apesar das declarações públicas de Ciro, que fez questão de frisar que continua aliado do governo, líderes da base aliada consultados pelo Broadcast Político preferiram criticar a conduta do socialista reservadamente.

Um líder governista disse que, com essas declarações, Ciro mostra não ter qualquer preparo para o jogo político, mesmo tendo ocupado cargos de destaque nacionalmente e concorrido à Presidência da República em duas ocasiões. Segundo esse parlamentar, o socialista deixou de ser a grande referência do PSB, preterido pelo atual governador e presidente do partido, Eduardo Campos, pré-candidato ao Palácio do Planalto. "É evidente que há um ressentimento dele", declarou.

Correligionário do ex-ministro, o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), discorda de que ele tenha agido dessa forma como uma estratégia política. "O Ciro não precisa disso para retornar à cena. Ele é um quadro político", destacou. Rollemberg amenizou a forma como o colega de partido se referiu à Dilma e ao governo, destacando que o ex-ministro "sempre tem posições muito contundentes". O parlamentar disse que "jamais colocaria as coisas nesses termos", mas afirmou que isso é uma questão do "estilo" do ex-ministro. "A crítica é legítima, mas de fato deveria ter sido dada em outro patamar", ponderou o senador. "É fato que o governo está enfrentando dificuldades que precisa superar, da articulação, de gestão, precisa dialogar mais e ser mais ágil."

Oposição. O vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), afirma que a crítica de Ciro faz parte da cultura política brasileira do "oportunismo". Com a queda da popularidade da presidente, disse o tucano, os governistas se arvoram em criticar. "Até a mobilização popular, ouvíamos o discurso ufanista de forma reiterada, mas depois que ela saiu do céu para o inferno em 15 dias, os questionamentos apareceram", afirmou.

Alvaro Dias concordou com a manifestação de Ciro segundo a qual a oposição é fraca igual a "caldo de bila" (caldo de tempero ralo com muita água). "Não discordo que a oposição seja fraquinha, ela é fraquinha, mas ela é filha deste modelo baseada em governos corruptos e incompetentes", disse ele, para quem há uma operação desde o início dos governos comandados pelo PT para asfixiar a oposição a partir de um "balcão de negócios" para trazer todos os políticos para a base aliada.

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