Ciro: não há chance de base apoiar só um candidato em 2010

O deputado do PSB assumiu que tem a intenção de ser candidato à Presidência pela terceira vez

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

26 de março de 2009 | 18h28

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) disse nesta quinta-feira, 26, que "não há a menor chance" de a base aliada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiar apenas uma candidatura na disputa presidencial em 2010. Ao visitar o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), Ciro assumiu que tem a intenção de ser candidato à Presidência pela terceira vez. "O que eu vejo é que talvez haja a necessidade de uma outra candidatura se houver um confronto miúdo, de uma disputa qualificada apenas pelo choque de poder entre PT e PSDB", disse. "Agora eu vejo de novo a necessidade de se colocar um punhado de ideias em discussão. Não precisa ser eu o candidato, mas se alguém não expressar essas ideias eu vou querer ser candidato."

O ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula observou que talvez não precise disputar caso o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), consiga se viabilizar como presidenciável do PSDB. Mas considerou a hipótese pouco provável, dizendo que sente que Aécio será "triturado" pelo governador de São Paulo, José Serra, na disputa interna tucana. "Estou sentindo que ele vai ser triturado pelo Serra", afirmou, salientando que possui 30 anos de experiência e "uns 20 de conhecimento de como é que funciona o trator que o Serra usa na política".

Ciro voltou a atacar a disputa entre o PSDB e o PT em São Paulo, que na sua opinião se dá por "nuances" e legitima que os dois partidos, quando no poder, se aliem ao que "não presta na política". "O País clama por um debate, de projeto, de estratégia, de mudança. Em São Paulo não, chegou-se a uma convergência bipolar", afirmou.  

 

"Engolindo"

 

Ciro poupou de críticas a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT. Mas apontou constrangimentos entre os aliados com o protagonismo do PMDB. "Se o PT está aceitando, aparentemente de bom gosto, a hegemonia intelectual e moral dessa fração do PMDB que dita as regras, tem muita gente como eu que está profundamente incomodado", afirmou o deputado.

 

"Mas como nós temos o dever de solidariedade com o presidente Lula, pelo bem que ele está fazendo ao País, a gente vai topando, vai engolindo".

 

Questionado sobre a intenção do presidente de levar para a candidatura de Dilma todos os partidos aliados, Ciro foi categórico. "Quem foi que disse que vai ter só um candidato da base? A coalizão que sustenta o presidente Lula é tão heterogênea que não há a menor chance, por mais que a gente queira, dessa coalizão se reproduzir para o processo eleitoral".

 

Regredindo - Já ensaiando um discurso de candidato, o deputado cearense ressaltou que pretende fazer avançar os índices macroeconômicos alcançados pelo atual governo e mais uma vez fez críticas à condução da política monetária. "Todos os indicadores que fizeram o êxito extraordinário do governo do Lula estão regredindo, todos: emprego salário, volume de crédito na economia, desempenho do próprio setor público", ressaltou.

 

Para Ciro, o Brasil está constrangido por uma crise internacional que é a mais grave crise do capitalismo. "E aqui dentro o Banco Central brasileiro resolveu apagar o fogo com um balde de gasolina, fazendo aquela estúpida sequência de aumentos de 0,75, 0,75 e 0,5 ponto e agora está correndo atrás do prejuízo, mas o PIB do padrão sazonal caiu quase 4% num trimestre".

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