Ciro mantém crítica contra FHC

Candidato do PPS à presidência da República, o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomesmanteve hoje as críticas ao "jantar secreto" que reuniu o presidente FernandoHenrique Cardoso e um grupo de dez dos maiores empresários, ofereci do pelobanqueiro Olavo Setubal, na sexta-feira. Para Ciro, o contra-ataque do governo temcomo objetivo tentar desqualificar sua candidatura, alternativa ao futuro nome do governoe ao candidato da oposição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na disputa presidencial em2002. Ontem, o ministro da Saúde José Serra, pré-candidato tucano à sucessão deFHC, desqualificou Ciro, chamando-o de "candidato do insulto", "oportunista" e"irresponsável". Disse ainda que quem entende de Oban (Operação Bandeirantes) é opróprio Ciro, por ter iniciado sua vida política na Arena. Foi uma resposta ao ex-ministro,que viu semelhança entre o jantar da última sexta e os encontros ocorridos nos anos 70,que ajudaram a criar e sustentar o aparelho de repressão."Ou eles se esclarecem, para que a gente fique tranqüilo e entenda que é mais umareunião do presidente com empresários brasileiros, o que é absolutamente natural, outodas as versões estão autorizadas", disse Ciro. Segundo ele, a história do Brasil ensinaque a Oban nasceu da reunião de empresários de São Paulo com o poder. "E daí setirou muito dinheiro para financiar uma estrutura que não tinha aparentementecompromisso com tortura, mas que acabou dando no que deu", completou. Aos 43 anos, Ciro lembra que no auge da repressão não tinha idade para atuar empartido político, mas reafirma o ataque a FHC. "Isso (a Oban) é um paralelo, umametáfora. Mas acho uma promiscuidade o presidente se encontrar com milionários aored or de um documento que contesta a democracia, sem dar transparência sobre esseencontro." Para Ciro, o governo reagiu porque a sua candidatura, "é uma opção real aonome do PSDB e ao de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e começou a incomodar". "O governo federal está desesperado e não sei que tipo de argumentos usará paratentar resolver seu desespero. O país inteiro está assistindo o próprio presidente alienaraté a sua própria autoridade moral para tentar cooptar o PMDB", disse Ciro. O processo de aliciamento também envolveria o PTB, partido que recentementedefiniu apoio à candidarura de Ciro. "É explícito e acontece todos os dias, mas oslíderes petebistas estão me informando que não vão voltar", disse Ciro. Crise argentinaO ex-ministro prevê um segundo semestre tumultuado para aeconomia brasileira, por conta da crise na Argentina. Ciro evita precisar datas, masacredita que "a turbulência está marcada". "Talvez os sinais dela já estejam dados naoscila ção do câmbio, na tendência de alta na taxa de juros. Mas haverá um momentomais comovente dessa turbulência que serão os dias ou meses após uma possívelruptura da normalidade na Argentina. Que poderá ser atestada pelo calote oudesvalorização do peso ou ambos", afirmou. Nesse momento, avalia Ciro, a economia brasileira vai sofrer um grande abalo com taxade juros muito alta, aumento do desemprego, perda de massa salarial na renda nacional,uma série de falências e concordatas, até de calote privado no Brasil. "Não sei se vai contaminar o cenário eleitoral, vai depender do calendário, ninguémsabe. Eu, inclusive, torço para que isso não aconteça nunca. Temo muito os efeitosdisso para a sociedade brasileira. Acho que o debate eleitoral no Brasil deveria ser feito num ambiente de mais serenidade", disse.

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