Ciro Gomes reconhece "dotes" de Roseana

Diferente de outros pré-candidatos à presidência da República, Ciro Gomes (PPS) recusou-se a comentar o crescimento da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), nas pesquisas de opinião. "Não é problema meu", esquivou-se ontem à noite em Curitiba. Mas dá a entender que ela será adversária mais difícil que algum nome do PSDB. "Ela tem todos os dotes, é governadora eleita, reeleita, filha de ex-presidente da República e pertence a um grande partido, embora tenha críticas ideológicas a ele", disse. "Dou as boas-vindas para o debate." Ao contrário, para o governo Fernando Henrique Cardoso ficam reservadas todas as críticas negativas, inclusive durante palestra a estudantes da Uniandrade. "O setor público hoje não merece respeito da sociedade", afirmou."O presidente Fernando Henrique, infelizmente, como tem apoio generoso, quase desonesto da grande mídia dita nacional, especializou-se em dizer o que quer e transformar a mais brutal das ilusões, das miragens dele em realidade." Segundo ele, não são verdadeiras as afirmações do presidente de que está pagando a "dívida social" e nem que o País esteja respondendo satisfatoriamente à crise internacional. "O País que tem vocação para crescer 6% ou 8% e cresce 1,5% ou 1,7% é um País que está com problemas. Há 50 milhões de pobres, 70% da malha rodoviária está destruída, falta energia, a dívida pública está explodindo, é a maior carga tributária do mundo em desenvolvimento e o senhor Fernando Henrique passeando no estrangeiro, deitando falação sobre perversão neo-liberal e aqui dentro querendo entupir com conversa o que é um fracasso", acentuou. Ciro Gomes ressaltou que seu projeto se baseia em alguns pontos fundamentais: desenvolvimento econômico do País, moralização das instituições republicanas, construção de uma nova governabilidade com reforma política que dê mais poder ao povo e não a seus representantes e a recuperação da soberania nacional. "É complicado, mas nossos problemas não são simples. Temos que evitar as tentações simplificadoras", analisou. "Quem pensa, por inexperiência, que pode tomar o poder e acabar com a fome é meu companheiro e amigo Lula", alfinetou.

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