Ciro Gomes (PPS) discursa sobre o futuro do Nordeste

O ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS), candidato a deputado estadual pelo Ceará, garantiu hoje, no Recife, que a refinaria de petróleo batizada de General Abreu e Lima pelo presidente Hugo Chávez da Venezuela - a ser implantada em Pernambuco pela Petrobrás em parceria com a PDVSA venezuelana - só será executada com a reeleição do presidente Lula. Sem ser explícito nem dar nome aos bois, falou da resistência da oposição ao projeto, nos bastidores, e da dificuldade da sua concretização. O principal motivo: porque é em Pernambuco, porque é no Nordeste.Em outro momento do seu discurso para cerca de 200 pessoas numa plenária sobre o Futuro do Nordeste, no auditório da Academia Santa Gertrudes, no Alto da Sé, em Olinda, foi jocoso ao dizer que o candidato da oposição (sem citar o nome do tucano Geraldo Alckmin) prometeu, em visita ao Ceará, recriar a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), extinta no governo Fernando Henrique. "Lula propôs em 2003 projeto de lei complementar recriando a Sudene que já foi aprovado no Senado", informou ele, ao destacar que o objetivo é ter uma Sudene com dinheiro "não para financiar o clientelismo", mas para financiar o desenvolvimento regional, com metade do total dos recursos com essa destinação. Destacou que a oposição quer dividir por igual - para todos os Estados - o montante a ser destinado ao Fundo de Desenvolvimento Regional, o que não beneficiaria ninguém e nem mudaria a diapasão ainda existente entre o Nordeste e o Sul e Sudeste do País. Ciro fez uma explanação, recheada de números e gráficos segundo os quais a região Nordeste foi beneficiada no governo Lula, como em nenhum outro, em todos os setores: da infra-estrutura à saúde, do impulso no consumo à educação. Entre os 11 oradores que falaram depois do ex-ministro - todos em franca campanha pela reeleição do presidente Lula - o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto, destacou a necessidade de "dar centralidade à política nacional de desenvolvimento regional", no que foi reforçado pela economista Tânia Bacelar. Ela frisou a importância de se oferecer melhores condições de competitividade sistêmica não somente às capitais, mas a todo o Brasil, para que o Nordeste supere o "carma" de se constituir num problema. "O sonho do ex-ministro Ciro, que compartilho, é o de não mais precisarmos ter um Ministério da Integração Nacional". Enquanto o ministério existir, observou ela, é sinal de que o Nordeste, assim como a região Norte, ainda não se equipararam ao restante do País.

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