Ciro Gomes janta com 20 dirigentes empresariais

Dois meses depois de ter criticado um jantar entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e empresários em São Paulo, quando comparou o encontro à Operação Oban (movimento empresarial que financiava ações durante o regime militar), o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes resolveu seguir a mesma fórmula. Nesta segunda-feira à noite, ele jantou com cerca de 20 dirigentes empresariais na casa do deputado Émerson Kapaz (PPS-SP), em São Paulo. O encontro agradou aos convidados, que entraram desconfiados com as críticas dele e saíram com a impressão de um candidato mais maduro."Acho que ele amadureceu, porque esse jantar foi semelhante ao do presidente", comentou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abhpec), João Carlos Basílio da Silva. "Ciro tem um discurso apaixonado, mas deu para sentir que é uma pessoa equilibrada."Em linhas gerais, as propostas de Ciro Gomes soaram bem aos ouvidos de comensais que representam boa parte do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Entre os presentes estavam os presidentes das Federações Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Gabriel Jorge Ferreira, e das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, e da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Raimundo Magliano.O candidato defendeu um novo modelo tributário, com o fim do imposto retido na fonte a ser compensado pelo estímulo à poupança; o desconto na Previdência sobre o faturamento das empresas; reforma política, com financiamento público de campanhas, plebiscitos e parlamentarismo em 2006, e cumprimento de todos os contratos de privatização."A impressão geral foi muito boa, mas é preciso ver como ele conseguirá viabilizar essas propostas", avaliou Silva. Uma das dificuldades, lembra o empresário, será adaptar esse programa aos discursos de alguns eventuais aliados, como o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), e o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola."A defesa dos processos de privatização nada tem a ver com o que Itamar e Brizola falam´, comparou. "É preciso ver, então, se essas alianças não vão se tornar uma camisa-de-força."

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