Ciro Gomes ganha 'afagos' e 'resistência' do PT, após entrevista

Para ex-ministro e deputado, escolha de Lula à sucessão presidencial não pode ser feita com base em vetos

Vera Rosa e Luciana Nunes Leal,

16 de julho de 2007 | 21h26

Após a afirmação de que não aceita ser vetado como possível candidato da coalizão governista, em 2010, o ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE) recebeu na segunda-feira, 16, afagos diplomáticos de alguns petistas e enfrentou resistência de outros.  O ministro Luiz Dulci, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, considerou que "não existe veto" e que "não é apenas que não exista veto. É melhor que isso. Ciro é um interlocutor importante do PT e uma das principais lideranças da coalizão", afirmou.  Em entrevista publicada na segunda, 16, pelo Estado, Ciro declarou que a escolha do candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sucessão não pode ser feita com base em vetos. O ex-ministro disse que, da mesma forma, não tem o direito de vetar nenhum nome. Também cobrou a discussão de um projeto para o País depois do governo Lula e sustentou a tese de que o presidente não fará o sucessor se ficar amparado apenas nas realizações do primeiro mandato. Ciro fez duras críticas e cobrou avanços em setores como educação, saúde e segurança pública. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), reiterou que "da parte do PT, não há veto ao Ciro". Embora tenha ressalvado que a discussão sobre a sucessão presidencial é precoce, o dirigente petista foi além e incluiu Ciro na lista de possibilidades da coalizão. "Ciro Gomes é uma liderança que tem que ser levada em consideração para a Presidência da República", disse Berzoini. Tanto o presidente do PT quanto o ministro da Secretaria Geral elogiaram a "lealdade" de Ciro ao presidente Lula. "As pessoas o respeitam muito dentro do PT pela trajetória progressista e pela lealdade ao presidente Lula", afirmou Dulci. PT e PMDB Houve, no entanto, quem insistisse em um nome do PT para a sucessão de Lula. O deputado petista Cândido Vaccarezza (SP) apontou como "natural" um candidato do PT à presidência e do PMDB à vice, embora tenha defendido a presença do PSB de Ciro em uma grande aliança. Vaccarezza ressalvou que "é cedo para as pessoas lançarem candidaturas, vetarem ou não".  O deputado petista defendeu que, em 2010, todos os partidos que integram a coalizão, "estejam unidos em torno da aliança central PT/PMDB". "O PSB é integrante dessa grande coalizão. Esse grupo deve discutir um nome. Defendo que seja do PT e acho que é o mais provável. Vamos buscar um nome que unifique e que tenha condição de ganhar a eleição. Na minha avaliação, o vice tem que ser do PMDB. O PT foi o partido mais votado e o PMDB o segundo partido mais votado nas últimas eleições. É natural que a aliança central seja PT/PMDB", sustenta Vaccarezza.  O deputado diz, porém, que a prioridade dos petistas agora são as eleições municipais, em que buscarão vencer nas principais capitais e, ao mesmo tempo, garantir peso eleitoral e político em cidades menores do interior do País.  O ex-ministro José Dirceu comentou em seu blog a entrevista de Ciro Gomes ao Estado. Considerou-a "simples, direta e objetiva". E elogiou: "Ele coloca o dedo nos graves problemas do Brasil. Esse é o Ciro Gomes. Uma entrevista à altura de um dos prováveis candidatos à Presidência da República em 2010."

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