Ciro Gomes e Letícia Sabatella batem boca sobre transposição

Deputado é a favor das obras no São Francisco e atriz, contra; eles discutiram ao fim de audiência no Senado

Agência Brasil,

14 Fevereiro 2008 | 19h12

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) - ex-ministro da Integração Nacional - e a atriz Letícia Sabatella protagonizaram um bate-boca ao final de uma audiência para discutir a transposição do Rio São Francisco nesta quinta-feira, 14, no Senado. Ciro também discutiu com o bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, que entrou em greve de fome duas vezes contra as obras.  Veja também: Entenda a transposição do São Francisco Bispo: obras do São Francisco são 'absurdo'  Ciro, a favor das obras, disse que os críticos do projeto não agem de forma respeitosa. E Letícia, contrária à transposição, criticou o deputado por não levar em conta outros assuntos relativos ao rio em seus argumentos. Na discussão com Ciro, o bispo chamou o projeto de "propaganda enganosa" e de ser mais um exemplo em que "o pobre vai colocar a mesa para o rico", disse. Ele se referiu à idéia de que a população pobre vai pagar a conta da água do São Francisco que será posta a serviço da "agricultura irrigada, criação de camarão e usos industriais". Ciro reagiu e acusou o bispo de se comportar como se tivesse o "monopólio da boa fé". Pouco depois, o deputado pediu desculpas pelo tom em plenário. Para Letícia, integrante da organização não-governamental Humanus Direitus, o debate sobre a transposição é tardio e as propostas alternativas deveriam ter sido discutidas antes de as obras começarem.  "O debate deveria ter sido amplamente divulgado. Antes de se decidir pela transposição deveríamos conhecer bem as propostas alternativas, principalmente a do Atlas do Nordeste", disse. O Atlas do Nordeste é um estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) com 530 propostas de obras para prevenir a escassez de água no semi-árido nordestino.  O estudo da ANA também foi citado pelo bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, durante a audiência. Segundo Cappio, essa proposta poderia beneficiar 44 milhões de pessoas, sendo que a transposição beneficiaria 12 milhões. Letícia também disse que o principal problema da transposição é que ela não tem um modelo de desenvolvimento sustentável e agride o meio ambiente.  (Com Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo) Texto ampliado às 20h30

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