Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Ciro Gomes diz que Bolsonaro 'inventa teses' para tirar o foco das fragilidades do governo

'É claramente uma estratégia esse divisionismo', disse o ex-ministro, que é um dos principais nomes da oposição ao governo

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 09h00

Terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018, Ciro Gomes (PDT) afirmou ao Estado que o presidente Jair Bolsonaro está "muito bem orientado" em ações que acabam causando polêmicas, como a declaração de que o "nazismo é de esquerda" ou críticas a instituições de pesquisa, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

"Tenho uma tese de que o Bolsonaro está muito bem orientado sob o ponto de vista da marquetagem. Para todas as dificuldades reais que acabam fragilizando (o governo), ele inventa em cima uma tese. E a esquerda antiga cai como um patinho e polariza", afirmou Ciro. Para ele, trata-se de uma estratégia bem coordenada, apesar de resistências na ala militar do governo. "É claramente uma estratégia esse divisionismo. Ele vai dando argumentos cíclicos para a turma dele se coesionar (sic) em outro universo", afirma. 

Segundo Ciro Gomes, um exemplo é a declaração recente de que nazismo seria um movimento de esquerda, feita em visita ao Memorial do Holocausto, em Israel, na segunda. "Ele vai e diz que o nazismo é de esquerda. Pronto: aí a turma do PT antiga cai, todo mundo achando que vai 'lacrar' mostrando que ele é louco. Mas aí o Bolsonaro já deu argumento para coesionar outro universo que não é a perda do comércio exterior ou a inscrição do Brasil no itinerário do terror, que são coisas concretas", exemplifica. 

Para exemplificar sua linha de raciocínio, Ciro cita também a queda da popularidade recente do presidente, medida por pesquisa Ibope. A parcela da população que considera o governo bom ou ótimo caiu de 49% em janeiro para 34% em março – baixa de 15 pontos porcentuais em dois meses. Na ocasião, Bolsonaro criticou a pesquisa. "O mesmo instituto falou que eu perderia para todo mundo no segundo turno", afirmou. 

Ciro cita ainda as críticas à metodologia do IBGE como exemplo da prática. Bolsonaro disse que o índice de desemprego "não mede a realidade" e que os dados parecem "feitos para enganar a população". "Aí cai (a avaliação) no Ibope, o desemprego aumenta, e ele vai e inventa um negócio para esculhambar o IBGE, falando que são burocratas, que são petistas. Ninguém é tão imbecil assim".

Desde o início do ano, Ciro Gomes tem ampliado críticas ao PT buscando ocupar espaços na oposição. Ele tem combatido a reforma da Previdência proposta pelo governo e buscado interlocução com parlamentares para "minimizar" as consequências das mudanças no sistema de aposentadoria. O objetivo é preservar o capital político conquistado ano passado - 13,3 milhões de votos - pensando em 2022. 

Ciro Gomes fará apresentações em Brasília e no Rio, em 11 e 15 de abril, respectivamente, com avaliações sobre os primeiros meses da administração Bolsonaro e demonstrará como será sua atuação na oposição a partir de então. 

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